terça-feira, 2 de agosto de 2016

Belo Horizonte - Igreja São Francisco de Assis

Igreja São Francisco de Assis
e Painel de 
Cândido Portinari

É difícil encontrar algum brasileiro que nunca tenha ouvido falar da Igreja São Francisco de Assis em Belo Horizonte. Se, ao falar o nome, alguém reluta em responder, espere alguns segundos e diga Igreja da Pampulha para ver o que acontece: a memória refresca na hora. A construção da Igreja, que está localizada em meio a um Complexo que recebeu da UNESCO o título de Patrimônio Mundial da Humanidade, tem uma história por trás que é repleta de inspiração para profissionais da arquitetura em todo o mundo.


Igreja São Francisco de Assis

A obra foi carinhosamente apelidada de “Igrejinha da Pampulha” por estar localizada na orla da Lagoa da Pampulha, e teve sua inauguração oficializada no ano de 1943 e é considerada um marco na história da arquitetura brasileira. O projeto arquitetônico da Igreja é de Oscar Niemeyer, que veio a se tornar mundialmente famoso com as obras de construção de Brasília, e o cálculo estrutural do engenheiro Joaquim Cardozo. Junto com a Casa do Baile, o Cassino (hoje Museu de Arte da Pampulha) e o Iate Clube, a Igreja compõe o Conjunto Arquitetônico da Pampulha.


Sessão de Fotos na Igreja São Francisco de Assis

A Igreja é considerada a obra-prima do Conjunto e foi o último prédio a ser inaugurado. No projeto da Capela, Oscar Niemeyer faz novos experimentos em concreto armado, abandonando a laje sob pilotis e criando uma abóbada parabólica em concreto, até então só utilizada em hangares. A abóbada na Capela da Pampulha seria ao mesmo tempo estrutura e fechamento, eliminando a necessidade de alvenarias. Inicia aquilo que seria a diretriz de toda a sua obra: uma arquitetura onde será preponderante a plasticidade da estrutura de concreto armado, em formas ousadas, inusitadas e marcantes.


Igreja São Francisco de Assis

Marcado por curvas que fazem uma alusão às montanhas de Minas Gerais, o desenho da Igreja traz uma sucessão de abóbadas (tetos arredondados): duas principais que cobrem a nave e o santuário, e três secundárias, que envolvem a sacristia e anexos. Na fachada principal, uma marquise reta conduz à torre que emerge na lateral. O arquiteto incluiu uma brise na parte superior da entrada. Com as formas mais livres presentes neste projeto, Niemeyer aventurou-se pelas qualidades plásticas do concreto armado, revelando seu gosto pelas linhas sinuosas. Pela primeira vez em edificações católicas no Brasil, foram usados traços muito diferentes da tradição religiosa, marcada pelos prédios robustos e  imponentes do período colonial.


Torre e Campanário da 
Igreja São Francisco de Assis
e os mosaicos de Paulo Werneck

As linhas curvas da Igreja seduziram artistas e arquitetos, mas escandalizaram o acanhado ambiente cultural da cidade, de tal forma, que as autoridades eclesiásticas não permitiram, por muitos anos, a consagração da Capela devido à sua forma inusitada e ao painel de Portinari onde se vê um cachorro representando um lobo junto a São Francisco de Assis. A Igreja permaneceu durante 14 anos proibida ao culto. Aos olhos do Arcebispo Dom Antônio dos Santos Cabral a igrejinha era apenas um galpão. Essa situação só mudou quando o então Papa João XXIII manifestou interesse em expor no Vaticano a Via Sacra de Portinari. A primeira missa na Igreja da Pampulha foi celebrada em abril de 1959.


Interior da Igreja São Francisco de Assis 
com o Mural de Cândido Portinari







O artista plástico Cândido Portinari é autor do painel externo em azulejo azul e branco, na fachada posterior da Igreja, que retrata cenas da vida de São Francisco. Fez também o mural do altar principal, em que São Francisco de Assis aparece se despindo de suas posses para se dedicar à caridade. O mural reproduz os traços modernos da época na medida que faz uma releitura ao próprio São Francisco de Assis. Fez também, os 14 pequenos quadros que retratam a Via Sacra, considerada uma de suas obras mais significativas. Esta Via Sacra foi exposta no Palazzo Reale em Milão, em 1963, quando foi realizada uma das maiores exposições individuais da obra de Portinari. Destaca-se o painel em cerâmica que reveste o púlpito, na parede exterior do batistério e no balcão.


Detalhes dos azulejos no interior da Igreja

O belo-horizontino Alfredo Ceschiatti é autor dos painéis em bronze, esculpidos em baixo-relevo, no interior do batistério, retratando a Expulsão de Adão e Eva do Paraíso. O resultado foi uma obra de bela plasticidade. Com esses painéis, o escultor ganhou o prêmio do 51º Salão Nacional de Belas Artes. Suas esculturas acompanham sempre os grandes trabalhos de Niemeyer e estão presentes no Palácio da Alvorada, na Praça dos Três Poderes e na Catedral, em Brasília. Nas laterais da abóbada da nave, encontram-se os mosaicos em azul e branco do pintor, desenhista e ilustrador Paulo Werneck, que introduziu a técnica de mosaico no Brasil. O azul das pastilhas usadas na parte externa da Igreja da Pampulha foi pensado para ser uma espécie de reflexo da água, enquanto os desenhos representam os movimentos das ondas da Lagoa da Pampulha.


Painel de Cândido Portinari no Batistério 
da Igreja São Francisco de Assis

Os jardins da Igreja são assinados pelo maior paisagista brasileiro, cujos trabalhos também podem ser vistos no Cassino (hoje Museu de Arte da Pampulha) e na Casa do Baile. Ele foi revolucionário, já que deixou de lado as influências estrangeiras, como os simétricos jardins franceses, para apostar na assimetria da natureza. Nascido em São Paulo, em 1909, Burle Marx também foi desenhista, pintor e ceramista, entre outras atividades.


Cruz da Igreja de
São Francisco de Assis




Por mais que Belo Horizonte estivesse crescendo, fosse uma bela capital e contasse com um planejamento minucioso do Prefeito Juscelino Kubitschek em relação à arquitetura, a Igrejinha da Pampulha se tornou mais do que uma notável construção de reconhecimento internacional: o cartão-postal dos mineiros. A Igreja da Pampulha é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG) desde 1984 e pela Gerência do Patrimônio Municipal. Em 2005, a Igreja passou por obras de recuperação e restauração. Também foi criado o projeto de iluminação das fachadas, que valoriza as formas arredondadas da construção.


Igreja São Francisco e jardins de Burle Marx

Em 2016, a Igreja da Pampulha ganhou o título de Patrimônio Cultural da Humanidade concedido pela ONU. Para conseguir tal feito, a obra teve que cumprir três critérios. São eles: representar uma obra-prima do gênio criativo humano; exibir um evidente intercâmbio de valores humanos que teve impacto sobre o desenvolvimento da arquitetura; e ser um exemplar excepcional de conjunto arquitetônico ou paisagem que ilustre um estágio significativo da história humana.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Belo Horizonte - Conjunto Arquitetônico da Pampulha

Painel Externo de Cândido Portinari na
Igreja da São Francisco de Assis
A Pampulha é um dos pontos turísticos mais conhecidos e procurados em Belo Horizonte, pela presença do Jardim Zoológico, dos parques ecológicos, do Mineirão e do Mineirinho, mas, principalmente, pelo seu Conjunto Arquitetônico. Local ideal para passear, sentir a brisa, estar com quem se gosta ou simplesmente desfrutar as coisas belas da vida, a Pampulha é um lugar único, um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte. Um ponto destinado ao lazer devido ao seu encanto e às suas belezas, a Lagoa da Pampulha é também um marco para a arte expressada por meio da arquitetura em Belo Horizonte. A Lagoa da Pampulha representa, mundialmente, as propostas de modernidade dos anos 1940. Turistas e moradores da capital têm contato com o conjunto de intervenções urbanísticas e construções reveladoras da interação entre a arquitetura, as artes plásticas e o paisagismo de fino gosto.

Igreja de São Francisco de Assis

Vista da Fachada Principal da
Igreja São Francisco de Assis
Belo Horizonte é uma cidade de fundação recente, do final do século XIX, que foi criada para ser a nova capital de Minas Gerais. Pelo projeto original, a cidade ficaria contida nos limites da Avenida do Contorno, que margeia o que hoje é o centro e os bairros que o circundam. Dentro do perímetro da Avenida tudo era planejado e regular, com quarteirões de tamanho padrão, ruas se cruzando perpendicularmente e algumas avenidas cortando as vias em eixos diagonais. Fora dali o que se via era o oposto. Como a cidade cresceu muito rapidamente, as áreas periféricas, que não receberam infraestrutura urbana, foram sendo ocupadas, derrubando a visão racional que se tinha da cidade em sua concepção.

Vista da Fachada Principal da Igreja São Francisco de Assis

Campanário da Igreja
São Francisco de Assis
No início da década de 1940, Belo Horizonte já contava com cerca de 220 mil habitantes e seguia crescendo bem além de seu plano original. Surgem novas ideias e planos diretores que buscavam reorganizar a cidade e permitir sua expansão racional. Nesse período, Belo Horizonte passa por intensa modernização, abrem-se novas avenidas e são realizados grandes investimentos em todos os lados da cidade. Época de novas ideias influenciadas pelo pensamento modernista brasileiro que encontra na capital mineira o espaço ideal para se desenvolver. Vários bairros para onde a cidade se expandia receberam a estrutura que necessitavam e foram integrados ao centro. Indo além, Juscelino Kubitschek decidiu desenvolver uma área ao norte da cidade, a Pampulha, onde, em 1936, uma lagoa artificial havia sido criada, com a finalidade de amortecer enchentes e contribuir para o abastecimento da capital. Começou a ser construída na gestão de Otacílio Negrão de Lima, Prefeito que hoje dá nome à Avenida que contorna a Lagoa.  Mas foi com Juscelino Kubitschek que foi ampliada e alcançou os 18 quilômetros de perímetro que tem hoje. Ele queria dar a Belo Horizonte o que ainda faltava à jovem capital: um centro de lazer e um grande atrativo turístico.

Azulejos representando "O Batismo de Jesus" na
parede do Batistério da Igreja São
Francisco de Assis
Para dar volume ao que imaginava para a área, Juscelino Kubitschek contratou um promissor arquiteto, Oscar Niemeyer, e a ele encomendou o projeto de algumas edificações a serem erguidas às margens da Lagoa da Pampulha. No início dos anos 1940, na primeira metade do século XX, o passeio de Oscar Niemeyer e Juscelino Kubitschek pela margem desocupada da Lagoa da Pampulha mudaria a imagem de Belo Horizonte, Minas Gerais e do Brasil para sempre. O Conjunto envolveu o pensamento modernista da época em todas as áreas abrangidas. Enquanto o mundo se destruía na Guerra, o Brasil fazia arquitetura. Não por menos, assim que o Conjunto da Pampulha foi inaugurado, o Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA, dedicou um pavimento inteiro a uma exposição sobre a arquitetura brasileira.

Interior da Igreja São Francisco de Assis e seu altar
A arquitetura de Oscar Niemeyer é inconfundível. O arquiteto até então desconhecido concebeu as ideias dos prédios (exceto a Casa Kubitschek), juntamente com o trabalho de artistas como Cândido Portinari, Alfredo Ceschiatti, August Zamoiski, Paulo Werneck e José Alves Pedrosa e do paisagista Roberto Burle Marx. A ideia de um lago para prática de esportes náuticos partiu do então Prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek. A concepção original previa ainda um hotel, que nunca foi construído. O conjunto reúne características que exemplificam conceitos-chave da arquitetura moderna mundial, tais como a estrutura em concreto armado, a planta livre, as amplas janelas e fachadas de vidro que possibilitam o diálogo entre o interior e o exterior da edificação. Porém apesar destas características, na Pampulha, o estilo arquitetônico adquire feições únicas e regionais que irão influenciar e gerar transformações na arquitetura moderna brasileira e mundial.

Escadarias que levam ao mezanino da Igreja
São Francisco de Assis
O entorno da Lagoa da Pampulha reúne o mais belo Conjunto Arquitetônico da capital mineira. Por lá estão três obras assinadas pelo mestre Oscar Niemeyer: Museu de Arte da Pampulha, instalado no prédio onde funcionava um cassino; Casa do Baile, um espaço para exposições que, inicialmente, abrigaria um restaurante e um salão de festas; e a Igreja de São Francisco de Assis, principal cartão-postal da cidade, ornamentada com 14 painéis de azulejo de autoria de Cândido Portinari retratando a Via Sacra. Todo o espaço é contornado por jardins criados por Burle Marx. Além destes, pertencem ao Conjunto Arquitetônico o Aeroporto Carlos Drummond de Andrade (conhecido como Aeroporto da Pampulha), o Estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão), o Estádio Jornalista Felipe Drummond (Mineirinho), a Fundação Zoo-Botânica e o Campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Cruzeiro na lateral da Igreja
São Francisco de Assis
Passando por períodos de esquecimento e abandono à revitalização, o Conjunto Arquitetônico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2007 e, desde julho de 2016, é Patrimônio da UNESCO. A indicação da Pampulha foi ratificada pelos 21 países integrantes do Comitê, por consenso.  É um marco vivo, íntegro e autêntico da história da arquitetura mundial e da história brasileira e das Américas. A residência de Juscelino Kubitschek (atual Casa Kubitschek), construída em 1943 está ali perto e segue o mesmo padrão de arquitetura, mas não está incluída no conjunto pela UNESCO. Essa conquista só foi possível pelo trabalho dedicado e meticuloso de arquitetos e urbanistas de várias instituições brasileiras, que planejaram uma série de reformas e a gestão do principal ponto turístico da capital mineira. Isso faz renascer a esperança de que a Pampulha tenha o cuidado que merece, pois, para manter o título, a Prefeitura de Belo Horizonte, o Estado e a União devem cumprir uma série de exigências da UNESCO

Museu de Arte da Pampulha (MAP)
Alguns exemplos: retirada da Guarita da Casa do Baile, reestruturação das Praças Dino Barbieri (próxima a Igreja) e Dalva Simão (entre a Casa do Baile e a Praça de Iemanjá), demolição do prédio anexo do Iate Tênis Clube, além de despoluição da Lagoa da Pampulha, no prazo de três anos. Esta extensa lista de elementos que compõem o que agora é Patrimônio da Humanidade reforça a ideia de que a Pampulha não é uma atração, mas uma experiência a ser vivida. Aos turistas que desembarcam em Belo Horizonte, o Complexo da Pampulha é hoje a maior atração da cidade. Mas são poucos os que visitam a região que conseguem visualizá-lo da forma que foi concebido: como um conjunto que envolve arquitetura, arte e paisagem. Com uma manhã ou uma tarde é possível ver com calma os componentes do Conjunto Arquitetônico da Pampulha.

"Nu" de August de Zamoisk em frente ao
Museu de Arte da Pampulha (MAP)
Talvez a principal obra do Complexo da Pampulha, a Igreja São Francisco de Assis, mais conhecida como Igreja da Pampulha seja um local a parte, com bastante originalidade na arquitetura. Emoldurada pelas águas da Lagoa, a igrejinha reúne as genialidades do arquiteto Oscar Niemeyer, do paisagista Burle Marx e do pintor Cândido Portinari em suas paredes. Essa combinação gerou a construção em linhas curvas totalmente revestidas por azulejos azuis tais quais os clássicos portugueses e pela Via Sacra, constituída por 14 painéis de Cândido Portinari, considerada uma de suas obras mais importantes, e a Imagem de São Francisco, com escultura de Alfredo Ceschiatti e pastilhas de Paulo Werneck.

Interior do Museu de Arte da Pampulha (MAP) com
suas colunas
No projeto da Capela Oscar Niemeyer faz novos experimentos em concreto armado, abandonando a laje sobre pilotis e criando uma abóbada parabólica em concreto, até então só utilizada em hangares. A abóbada na Capela da Pampulha seria ao mesmo tempo estrutura e fechamento, eliminando a necessidade de alvenarias. Inicia aquilo que seria a diretriz de toda a sua obra: uma arquitetura onde será preponderante a plasticidade da estrutura de concreto armado, em formas ousadas, inusitadas e marcantes. O cálculo estrutural coube ao engenheiro Joaquim Cardoso, tido por Niemeyer como o "brasileiro mais culto que existia".

Rampa que leva ao andar superior do Museu de Arte
da Pampulha (MAP)
No entanto, a modernidade de suas curvas causou um forte impacto na sociedade à época. As autoridades eclesiásticas não permitiram de imediato a consagração da Capela devido à sua forma nada convencional para uma igreja, e ao painel de Portinari, onde se vê um cachorro representando um lobo junto a São Francisco de Assis. Para os artistas de vanguarda, a Igreja, com sua sequência de arcos, que ao mesmo tempo formam cobertura e paredes, era a subversão dos princípios da arquitetura modernista vigente, de forma até então inimaginável. Para as autoridades católicas, inimaginável era aceitar que uma igreja tivesse forma tão vanguardista. Por quase uma década e meia foi proibido o culto na Igreja. Ela só saiu do ostracismo quando o então Papa João XXIII manifestou interesse em expor no Vaticano a Via Sacra de Portinari, registrada na Igrejinha. Mas a primeira missa só foi celebrada em abril de 1959. No exterior estão belos jardins, assinados por Burle Marx. 

Andar superior do Museu de Arte da Pampulha (MAP)
Inaugurado em 1943, o Iate Tênis Clube (originalmente Iate Golfe Clube), se propunha a ser um local de lazer para a família, com ênfase nas atividades esportivas, principalmente as náuticas. Sua sede, com formato de barco, “avança” sobre o espelho da Lagoa da Pampulha. Erguido sobre pilotis, segue a estética modernista e se destaca por seu telhado invertido, do tipo borboleta. O local ganhou painéis de Cândido Portinari e do paisagista Burle Marx. À frente, a beleza deslumbrante da Lagoa da Pampulha, com a Igreja de São Francisco de Assis refletida nas águas. No interior, sofisticados salões de festas e de convenções, totalmente estruturados para receber convidados, como eles merecem: com requinte e conforto.

Auditório do Museu de Arte da Pampulha (MAP)
com seu piso em vidro
O Iate Tênis Clube é o edifício que mais causa controvérsia no processo de reconhecimento do Conjunto Arquitetônico da Pampulha como Patrimônio Mundial. A controvérsia, no entanto, atinge o prédio anexo, construído anos depois, que descaracteriza o projeto. A edificação anexa bloqueia a visão face a face que se tinha entre a Igreja e o Iate ao longo de todo o trecho da orla que une as duas edificações. Originalmente, a partir do Iate, era possível visualizar todos os demais prédios do conjunto. A Prefeitura de Belo Horizonte negocia a desapropriação e demolição do anexo para restaurar a ambientação original do conjunto. Por ser um clube privado, muitos turistas excluem o prédio do roteiro de visitação na Pampulha, por ter o acesso restrito.

Auditório do Museu de Arte da Pampulha (MAP)
A menor das edificações, mas talvez a mais encantadora delas, a Casa do Baile é a grande injustiçada pelos turistas que visitam a Pampulha pensando somente em conhecer a Igreja, sua obra mais famosa. A Casa do Baile foi construída em uma ilha artificial ligada à orla por uma pequena ponte feita de concreto. Ela foi criada para ser espaço de lazer e entretenimento nas noites de Belo Horizonte e tornou-se palco de atividades musicais e dançantes. Na década de 1940, era o lugar onde a alta sociedade se encontrava para grandes bailes e festas. Um dos mais famosos frequentadores era o próprio Juscelino Kubitschek, então prefeito da cidade, conhecido por sua afeição à vida boêmia. A arquitetura também dá um baile. As curvas da edificação acompanham a Lagoa da Pampulha e são emolduradas pelos jardins de Burle Marx.

Brises de madeira no Auditório do
Museu de Arte da Pampulha (MAP)
Um salão circular forma o corpo principal do edifício, mas a ele se une uma marquise sinuosa, que contorna o perímetro da ilha, formando o grande destaque da obra. E é isto que a diferencia de todos os demais edifícios do Conjunto. Sua marquise leva os visitantes para a parte externa, convidando-os a explorar os jardins e a observar os contrastes da arquitetura com a paisagem da Lagoa. Com a proibição do jogo que inviabilizou o cassino ali perto, a Casa do Baile entrou em declínio e fechou suas portas, em 1948. Desde 2002 quando foi reaberta, a antiga Casa do Baile abriga o Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design, vinculado à Fundação Municipal de Cultura da Prefeitura de Belo Horizonte, com algumas exposições ocorrendo em seu interior. A entrada é gratuita e fica aberta de terça a domingo.

Escultura de Alfredo Ceschiati no exterior do
Museu de Arte da Pampulha (MAP)
O prédio que hoje abriga o Museu de Arte da Pampulha (MAP) foi projetado por Niemeyer para ser um cassino e foi o primeiro projeto do Conjunto Arquitetônico a ficar pronto, em 1943. Em sua concepção, nota-se a influência de Le Corbusier, principalmente na fachada, em travertino e vidro. Os jardins que circundam o prédio foram feitos pelo paisagista Roberto Burle Marx. Estátuas de Alfredo Ceschiatti, August Zamoiski e José Pedrosa também foram incorporadas ao local. De imediato à sua inauguração, o Cassino da Pampulha passou a receber pessoas de todo o país, transformando assim o cenário da noite belo-horizontina. Grandes artistas, renomados no Brasil e no exterior, que já haviam atuado nos Cassinos da Urca no Rio de Janeiro e no Palácio Quitandinha de Petrópolis vieram a Belo Horizonte.

Azulejos na lateral do Museu de Arte da Pampulha (MAP)

Cassino da Pampulha, atual Museu de Arte (MAP)
O Cassino era a grande atração do Conjunto Arquitetônico da Pampulha quando as obras foram inauguradas. Reinando do alto de uma península, na margem oposta às demais construções, era para o Cassino que todos os olhares ao redor se dirigiam, quando as festas aconteciam em seu interior. Arquitetonicamente o Cassino é a obra que mais facilmente se enquadra nos princípios clássicos do modernismo. Mas já ali Niemeyer demonstrava seu apreço pelas curvas ao articular o corpo principal, com projeção quase quadrada, com um volume cilíndrico, onde ocorriam as apresentações. Mas os tempos de glória do Cassino da Pampulha duraram pouco. Poucos anos após sua abertura, em abril de 1946, o governo do Presidente General Eurico Gaspar Dutra proibiu o jogo em todo o Brasil e após alguns anos de abandono, o cassino passou a funcionar como museu a partir de 1957. Hoje o espaço é focado na apresentação de obras de artistas brasileiros contemporâneos e fica aberto para visitação de terça a domingo. Um dos pontos turísticos mais famosos de Belo Horizonte.

Jardins de Burle Marx em frente ao Museu de
Arte da Pampulha (MAP) com escultura de
bronze de José Alves Pedrosa
A Casa Kubitschek não está na lista dos Patrimônios da Humanidade pela UNESCO, mas segue o mesmo estilo e pode/deve ser visitada quando se visita os demais. Ela foi projetada na década de 1940 para ser residência de fim de semana de Juscelino Kubitschek e possui características da arquitetura moderna. Os jardins e pomar são de Burle Marx. Hoje é um espaço cultural e museu que abriga objetos da época.  Um convite aos estímulos sensoriais e espaciais. Não visitei a Casa Kubitschek.

Uma capivara e uma garça às margens da Lagoa da Pampulha

Lagoa da Pampulha

Lagoa da Pampulha vista das janelas do Museu
de Arte (MAP)
As atrações do Conjunto Arquitetônico da Pampulha ficam afastadas umas das outras (da igrejinha até o Iate Clube são 20 minutos andando, cerca de 1,7 quilômetros. Dali até a Casa do Baile são mais 600 metros. Apenas o antigo Cassino fica mais afastado, a uma caminhada de pouco mais de meia hora partindo da Casa do Baile) e a Pampulha fica longe do centro da cidade, então com certeza o jeito mais fácil de visitar é de carro. Para se locomover em Belo Horizonte, a melhor opção é de Uber ou Cabify, se não quiser se estressar (sou de lá, e posso garantir, o trânsito é infernal). Até bem pouco tempo, era difícil conhecer tudo se não estivesse motorizado, a não ser que a pessoa estivesse bem disposta a caminhar quilômetros. Com a orla sendo inteiramente plana, dá para fazer todo o trajeto pedalando (isso para os mais animados). O problema é que as bicicletas estão distribuídas pela Pampulha pensando em seu uso pelo morador de Belo Horizonte e não pelo turista que visita o Conjunto Arquitetônico. A maioria das estações está no trecho oeste da Lagoa, próximas ao Parque Ecológico da Pampulha.

Praça de Iemanjá na Lagoa da Pampulha

Praça de Iemanjá na Lagoa da Pampulha

Lagoa da Pampulha vista das janelas do Museu
de Arte (MAP)
Ao longo dos anos, a Pampulha assumiu sua vocação natural para o turismo e o lazer. A riqueza do Complexo Arquitetônico atrai milhares de turistas que veem ícones da modernidade nas curvas da Igreja de São Francisco, no Museu de Arte Moderna e na Casa do Baile, construções geradas sob as perspectivas desenvolvimentistas do prefeito da época, Juscelino Kubitschek. Belo Horizonte é uma belíssima cidade com inúmeros museus e incontornável arquitetura moderna.  A tranquilidade das margens da Lagoa da Pampulha permite avistar a pachorrenta capivara, inúmeras espécies de aves e, claro, o conjunto seminal de obras de Oscar Niemeyer. A Lagoa da Pampulha é atualmente lugar tradicional de esportes como corrida, caminhada e ciclismo. Já foi usada também por esportistas náuticos, mas a poluição e o assoreamento por conta do lixo acumulado impedem práticas, como a pesca e a natação. Apesar disso, a Lagoa é importante ponto de encontro do belo-horizontino.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Ouro Preto - Dicas de O Que Fazer em Ouro Preto

Ouro Preto

Ouro Preto consegue manter os viajantes que chegam à cidade entretidos por muitos dias. São dezenas de pontos turísticos a serem visitados, belas cidades nas redondezas para passeios de bate e volta, muitos mirantes que merecem paradas fotográficas e, claro, incontáveis comidinhas mineiras a serem experimentadas. Faltará tempo para tantas atrações. Caso você esteja organizando uma viagem curta, de apenas um final de semana, o melhor é focar no essencial de Ouro Preto para não ficar perdido entre tantas igrejas, museus, minas e povoados encantadores. São diversos os pontos turísticos em Ouro Preto, e o bom é que ficam próximos uns dos outros. Assim, você consegue conhecer bastante coisa em um ou dois dias, a maioria caminhando, apesar das inúmeras ladeiras da cidade. Caso tenha mais tempo, aproveite para conhecer a arte e arquitetura de Ouro Preto por dentro, não apenas as fachadas. A paisagem de Ouro Preto é deslumbrante, mas é no interior das igrejas e casarões que estão alguns dos maiores tesouros locais.


Ouro Preto


Praça Tiradentes

A Praça Tiradentes é o ponto de partida mais comum para o turismo na cidade, porque lá se concentram restaurantes, cafés e alguns pontos turísticos de Ouro Preto. É lá que está o Centro Cultural e Artístico de Ouro Preto, local onde você pode obter os mapas da cidade. Também há diversos guias se oferecendo aos turistas. O detalhe é que nem todos são confiáveis, então se atente caso for escolher um. Quanto ao grande Monumento a Tiradentes que você verá no centro da Praça, foi instalado em 1894, posicionado de costas para o prédio onde ficava na época, a Sede do Palácio dos Governadores. Trata-se de uma homenagem ao sacrifício do alferes na Inconfidência Mineira. A partir de então é que o local ganhou esse nome (antes era Praça da Independência). É na Praça que também acontecem os grandes eventos da cidade. Sua importância histórica é inquestionável. A Praça Tiradentes é um marco da Inconfidência Mineira. Foi nesse local que, em 1792, a cabeça de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, mártir da Inconfidência, foi exposta após seu enforcamento.


Casa onde viveu Thomás Antônio Gonzaga


Museu da Inconfidência

Ouro Preto oferece aos visitantes alguns espaços dedicados à arte e à história da região. São museus que ajudam a compreender como Vila Rica se tornou a atual Ouro Preto e a grande influência que a atividade mineradora, a religião e a escravidão tiveram sobre o povo e o desenvolvimento da região. Para ter uma ideia geral de Ouro Preto, não deixe de visitar o Museu da Inconfidência, onde documentos, mobiliários, obras de arte peças de época contam mais sobre o processo que culminou na Independência do Brasil. Além disso, o prédio tem em si sua própria história. Visto que já sediou a Casa da Câmara e a Cadeia de Vila Rica. Com foco na vocação mineradora de Ouro Preto, o Museu da Ciência e Técnica da Escola de Minas explica como se desenvolveu a principal atividade da cidade. Se o interesse for por obras sacras, conheça o Museu do Oratório, o Museu de Arte Sacra de Ouro Preto e o Museu Aleijadinho. Para encantar-se pela arquitetura colonial, vale visitar a Casa de Thomás Antônio Gonzaga, a Casa dos Contos, a Casa dos Inconfidentes e a Casa da Ópera, quatro construções onde funcionam centros culturais, as que têm como principal atração os próprios edifícios.


Chafariz do Museu da Inconfidência


Igreja Nossa Senhora das 
Mercês e Misericórdia

Nenhuma outra cidade de Minas Gerais tem oferta tão grande de belas igrejas abertas à visitação. E elas não são importantes apenas pela questão religiosa. Muitas igrejas de Ouro Preto são verdadeiras obras de arte e exemplares magníficos da arquitetura colonial. Percorrê-las é um presente para os olhos. Grandes nomes da arte barroca mineira trabalharam em projetos dos edifícios, esculturas e pinturas das igrejas setecentistas. Entre os artistas mais importantes está Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Além dele, destacam-se também Manuel da Costa Athayde (conhecido como Mestre Ataíde), Manuel Francisco Lisboa (pai de Aleijadinho) e Francisco Xavier de Brito. Entrar nas igrejas de Ouro Preto é como visitar museus. Cada uma reserva uma obra especial. A tarefa, no entanto, pode não ser fácil. Muitas vezes, as igrejas não têm horário regular de abertura, estão fechadas para restauração ou cobram ingressos para visita. Na verdade, quase todas as igrejas de Ouro Preto exigem pagamento para serem visitadas por dentro e quase nunca é permitido o registro fotográfico. Por isso, prepare-se para trazer recordações dos belos altares e pinturas no teto apenas na lembrança.


Altar da Igreja Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia


Igreja São Francisco de Paula

Ouro Preto oferece ao menos 20 igrejas e capelas para visitação. Como o número é muito alto e quase sempre o tempo é muito curto, é preciso priorizar a visita. Sendo assim, comece o tour pelas igrejas de Ouro Preto visitando as mais significativas em termos históricos e artísticos. Entre as igrejas imperdíveis da cidade estão a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, a Igreja de São Francisco de Assis, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e a Igreja de Santa Efigênia. Ainda que essas igrejas estejam entre as mais belas, elas não são as únicas. Ao caminhar por Ouro Preto e se deparar com outras igrejas, não deixe de entrar para descobrir o interior delas.


Nave da Igreja São Francisco de Paula


Igreja Nossa Senhora do Carmo

A Igreja Nossa Senhora do Carmo fica logo atrás do Museu da Inconfidência, é uma das obras do arquiteto Aleijadinho. Sua longa escadaria permite uma ampla paisagem do Centro Histórico. O desenho dessa Igreja, concluída em 1766, pertence a Manuel Francisco Lisboa e remete à fase rococó da arquitetura colonial mineira. Esse estilo se caracteriza pelo uso abundante de curvas e de elementos decorativos, como conchas, flores e laços. Também tem pinturas de Manuel da Costa Athayde, o principal pintor colonial brasileiro. Todas as paredes inferiores da principal capela são decoradas com azulejos portugueses, o que dá um ar de elegância ao lugar. Ao lado da Igreja tem um cemitério de catacumbas, que foi construído entre os anos 1824 e 1868. Anexo ao terreno, fica o Museu do Oratório, que expõe grande variedade de peças religiosas.


Nave da Igreja Nossa Senhora do Carmo


Igreja São Francisco de Assis

A Igreja São Francisco de Assis mistura os estilos arquitetônicos barroco e rococó e foi construída entre 1776 e 1794. Talvez uma das mais celebradas da cidade e foi um dos primeiros bens tombados em Ouro Preto. O prédio reúne trabalhos dos dois maiores artistas da época. Quem assina o projeto arquitetônico, a fachada, os púlpitos e as esculturas no interior da Igreja é Aleijadinho. Já o colorido das imagens do teto é de Manoel da Costa Athayde, o grande mestre da pintura barroca. A Igreja faz parte das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa do Mundo. Por isso, recomendo muito colocar em sua lista de O Que Fazer em Ouro Preto. Logo em frente à Igreja São Francisco de Assis, a Feira de Pedra Sabão é ideal para comprar lembranças de Ouro Preto. Por lá, você encontrará grande variedade de artigos típicos, especialmente artesanatos em pedra sabão. O diferencial é que, além da variedade de peças produzidas localmente, você encontrará artesãos esculpindo lá mesmo, o que dá um tom ainda mais afetivo aos artigos.


Altar da Igreja São Francisco de Assis


Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar

Se o que você quer fazer em Ouro Preto é constatar a riqueza que essa cidade já teve, visite a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Erguida no início dos anos 1700, é uma das mais luxuosas da cidade. A ornamentação da Igreja leva mais de 400 quilos de ouro e 400 quilos de prata, fora as centenas de anjos esculpidos. Para completar o passeio pela Igreja, vá ao Museu de Arte Sacra do Pilar, anexo à Igreja. Nele, você verá diversos ornamentos, roupas, esculturas, entre outras peças ligadas à história do local. 

Escravos adeptos ao catolicismo construíram a Igreja de Nossa Senhora do Rosário no final dos anos 1700 e início dos 1800. Por isso, também é conhecida como Rosário dos Pretos. Segue o estilo puramente barroco, marcado pela fachada curva e a planta elíptica. A construção foi viabilizada graças ao trabalho da Irmandade dos Homens Pretos, grupo de negros escravos e alforriados católicos que não podiam frequentar os mesmos cultos dos brancos.


Altar da Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar


Igreja Nossa Senhora da Conceição

Com quase 300 anos de existência, a Igreja Nossa Senhora da Conceição tem uma ligação especial com Aleijadinho e o pai dele (Manuel Francisco Lisboa), também arquiteto. Isso porque os corpos de ambos estão enterrados lá. Não é por acaso, afinal o projeto e a construção ficaram por conta de Manuel. Ainda tem mais sobre essa família que criou o que hoje são os principais pontos turísticos de Ouro Preto. O Museu do Aleijadinho fica anexo a essa Igreja, logo você pode visitá-lo no mesmo passeio.


Altar da Igreja Nossa Senhora da Conceição


Igreja Santa Efigênia

A Igreja de Santa Efigênia, originalmente dedicada à Nossa Senhora do Rosário, ficou mais conhecida pelo nome de Santa Efigênia, outra padroeira da Igreja. As obras duraram cerca de 50 anos (de 1734 a 1785) e quem bancou foi a Irmandade dos Homens Pretos. Dizem que a estátua de uma mulher carregando um bebê, disposta na frente da Igreja, foi presente de Aleijadinho, mas todos os dados históricos sobre os artistas participantes da obra são controversos. Esse caráter informal da construção prova o mérito dos negros escravos ou alforriados, que mesmo excluídos e com todas as dificuldades, se esforçam para professar a fé. Sua história também está ligada fortemente ao lendário líder negro Chico Rei, monarca africano que foi escravizado no Brasil e lutou por sua liberdade. Sua trajetória serviu de exemplo para muitos escravos lutarem por sua liberdade. Essa Igreja fica mais distante do Centro Histórico de Ouro Preto, no alto de uma ladeira.


Altar da Igreja Santa Efigênia


Teatro Casa da Ópera

Não se deixe enganar pela fachada simples desse prédio laranja. Isso porque, lá dentro, funciona o mais antigo teatro em atividade na América Latina. O Teatro Casa da Ópera foi inaugurado em 1770, ou seja, há quase 250 anos, o espaço tem programação de eventos e visitas guiadas. Entrar na Casa da Ópera de Vila Rica (atualmente Teatro Municipal de Ouro Preto) é uma verdadeira viagem ao passado. A Casa também foi a primeira do Brasil destinada ao teatro e outros espetáculos destinados à pomposa sociedade setecentista. São três andares, com 300 lugares divididos entre plateia, frisas, galerias e camarotes. No alto do palco, há uma bela pintura.


Casa da Ópera de Ouro Preto


As delícias da culinária de Ouro Preto

Para que negar? Minas Gerais é mesmo excelente para quem deseja se jogar nas delícias da vida. Então, renda-se de uma vez e experimente tudo o que há de melhor na culinária mineira, afinal, in loco é sempre mais gostoso. Peça uma dose de cachaça local para começar, depois experimente alguns torresmos e escolha o prato principal entre sabores como tutu, linguiça, frango com quiabo, costelinha, couve refogada, feijão tropeiro ou galinha ao molho pardo. É tudo tão saboroso que será difícil desapegar. Ah! Não se esqueça do docinho caseiro de sobremesa e um cafezinho coado com pão de queijo no meio da tarde. Para quem gosta muito dos produtos típicos mineiros e não desiste de levar alguns doces, queijos e artesanatos para casa, vale conferir as lojas de Ouro Preto, especialmente as que estão localizadas na Rua Direita (ou Rua Conde de Bobadela) e na Rua Cláudio Manoel. Não deixe também de conferir as lojas de metais e pedras preciosas ao redor da Praça Tiradentes.


Rua Direita


Ah! Quanta beleza pode guardar uma janela? Em Ouro Preto, elas são incontáveis! Cada ângulo, ladeira e sacada oferece um novo ponto de vista ainda mais belo. Tudo cercado pela envolvente cadeia de montanhas decorada por casarões coloniais. Por isso, aproveite cada nova vista para descobrir Ouro Preto. Experimente ver a Igreja de São Francisco de Assis a partir da Casa de Thomás Antônio Gonzaga. Suba até o topo da cidade para ver Ouro Preto no Mirante da UFOP ou no Mirante do Morro São Sebastião. E sempre repare a vista de todas as igrejas por onde passar. Cada uma delas permite ver outras várias igrejas de Ouro Preto. E esse é um dos maiores espetáculos da cidade.