terça-feira, 27 de outubro de 2015

Berna - Fontes de Berna

Anna-Seller-Brunen
Berna, mais conhecida como “Cidade dos Ursos”, é a capital da Suíça e traz uma mistura de túnel do tempo com paisagens de tirar o fôlego. Seu centro, a parte mais antiga da cidade, é considerado pela UNESCO, Patrimônio da Humanidade por sua riqueza histórica bem conservada. A cidade é cheia de história e traz atrações para se deslumbrar o ano todo.  Berna também é famosa por suas diversas fontes. São cerca de 100 chafarizes espalhados pela cidade e 11 deles, são especiais por serem históricos e parte do Patrimônio da Humanidade. As fontes representam diversos aspectos da história da capital e foram construídas num período próspero da cidade (quase todas são do século XVI). Elas são decoradas com estátuas em estilo renascentista que remetem a personagens históricos ou figuras lendárias, que dão um charme especial à capital. Delas saem águas que são limpas e cristalinas e vêm direto das montanhas, perfeito para encher sua garrafinha e continuar a caminhada. Para quem se interessar em conhecer as fontes de Berna, o Escritório de Turismo local oferece uma visita guiada temática.

Läuferbrunnen

Schützenbrunnen
O ar medieval da cidade, com seus muitos chafarizes e suas muitas fachadas de arenito, ruas estreitas e torres históricas, possui uma característica única. As ruas medievais de Berna seriam completamente diferentes se, no passado, tivessem sido retiradas as fontes que figuram, na sua grande parte, bem no meio delas. O colorido de cada uma delas, juntamente com as bandeiras representando os vários cantões, faz um grande contraste com as arcadas dos prédios cinzentos. As cerca de 11 fontes figurativas, existentes no centro da capital, são da autoria do escultor Hans Gieng, que também esculpiu algumas na sua cidade natal, Fribourg. Algumas delas são tão trabalhadas, quer na figura que as encima, quer nas colunas que as suportam, que são um evidente testemunho da riqueza de uma certa burguesia da época medieval. E, também, um testemunho da sua importância como fontes públicas no abastecimento de água à cidade – ainda são visíveis os canais a ligar algumas destas fontes. Em tempos idos as fontes eram locais de confraternização e ali se juntavam os habitantes para recolher água ou para lavar as suas roupas.

Schützenbrunnen

Gerechtigkeitsbrunnen
A Gerechtigkeitsbrunnen, fonte que representa a Justiça é datada de 1543. A estátua foi amplamente reproduzida e espalhada por outros locais, na Suíça, até o século XVII. Contudo, esta é também uma cópia, uma vez que a original foi destruída por vândalos, em 1986 e, desde então, encontra-se em restauro, no Museu Histórico da cidade. Representando a Justiça, a figura central segura uma espada na mão direita e uma balança na esquerda, tendo uma venda sobre os olhos. Enquanto a espada e a balança eram atributos comuns em suas representações, a venda nos olhos era uma novidade. Somente depois esse elemento que implica que todos são iguais perante a lei se tornou comum. Aos seus pés ficam quatro bustos: o Papa, o Imperador, um Sultão e um Schultheiss (espécie de administrador da cidade). O simbolismo é que a Justiça, de natureza divina, estaria acima de todas essas autoridades terrenas. Apenas na Suíça, existem 17 fontes parecidas (fora as que já foram destruídas).

Ryfflibrunnen

Kindlifresserbrunnen
Outra fonte de água imperdível é a Kindlifresserbrunnen. Criada em 1545-46, foi chamada inicialmente de Platzbrunnen. O nome atual surgiu em 1666. Kindli, no alemão suíço, é um diminutivo da palavra germânica kind, que quer dizer criança. A tradução literal do nome Kindlifresserbrunnen seria “Fonte do Comedor de Criancinhas”. A escultura mostra um ogro devorando um bebê, tendo ao seu lado um saco com outras crianças (seria o Bicho Papão no folclore brasileiro). Não se sabe exatamente o que motivou o artista a fazer tal criação. Como o chapéu do ogro lembra aquele utilizado pelos judeus, especula-se que seja uma representação da crença de que eles sequestravam e matavam os filhos dos cristãos para usar seu sangue em rituais religiosos. Outra teoria é de que se trata de Krampus, uma criatura do folclore alpino que punia, na época do Natal, os que se comportaram mal durante o ano. Ainda dizem que pode se tratar do deus Cronos (grego) ou Saturno (romano) que comeu todos os seus filhos. Também poderia ser um alerta para que eles tomassem cuidado com os fossos de ursos. E por aí vai, escolha a que melhor lhe agrada. O fato é que a curiosa fonte fica na Kornhausplatz, que possui esse nome por estar em frente ao Kornhaus (celeiro de milho), um dos mais belos exemplos da arquitetura barroca da cidade.

Pfeiferbrunnen

Vennerbrunnen
A Vennerbrunnen Banneret situa-se junto à Prefeitura da cidade. Venner era um título político-militar, na Suíça Medieval. Era o responsável pela paz e protegia uma parte da cidade e liderava as tropas em batalhas. Além de coletar os impostos, era responsável por vigiar os mercados e pelo “Corpo de Bombeiros”. Era um homem com muito poder e muito importante. A estátua, construída em 1542, mostra um Venner armado com a sua bandeira. Em frente à Catedral fica a Münsterplatz, onde se destaca outra fonte medieval, a Mosesbrunnen. A estátua data de 1544 e, como o próprio nome indica, representa Moisés, que aparece trazendo os Dez Mandamentos para as tribos de Israel. Moisés é mostrado com dois raios sendo projetados de sua cabeça, uma referência a Êxodos 34:29-35, que conta que a pele de sua face ficou radiante após um encontro com Deus.

Mosesbrunnen



Entre as fontes localizadas na Kramgasse, destaca-se a Simsonbrunnen, construída em 1527 e ampliada poucos anos depois. Ali está representado o herói católico romano Sansão, que aparece armado e carregando ferramentas de um açougueiro enquanto se prepara para rasgar as mandíbulas do leão. É possível que essa fonte tenha sido doada pela guilda dos açougueiros, o que explicaria a presença das ferramentas. Sansão foi símbolo popular de poder no século XVI e foi considerado o Hércules bíblico. A estátua original foi substituída por uma cópia em 1973.

Simsonbrunnen




A Zähringerbrunnen é a fonte em homenagem ao fundador de Berna, Berchtold von Zähringer. O símbolo de Berna é a figura de um urso e aqui aparece o seu fundador travestido de urso sob uma armadura. Lauferbrunnen é a fonte que representa o mensageiro que, conta-se, teve a audácia de dizer ao rei francês, quando este advertiu o bernense por não falar francês, que ele também não falava alemão. Schützenbrunnen é a Fonte do Mosqueteiro. Ali está ele, cheio de pose com uma bandeira erguida e uma espada na outra mão. Debaixo das suas pernas e agarrado a uma delas vemos um ursinho. Com vista para uma das torres de entrada do Centro Histórico, a Anna-Seiler-Brunnen é dedicada à mulher que fundou o primeiro hospital de Berna.

Zähringerbrunnen

A Ryfflibrunnen é a representação da figura de um atirador. Mais uma vez, com um urso como companhia. A Pfeiferbrunnen – Tocador de Flauta – é talvez a mais bonita e rica em pormenores. Na sua coluna encontramos relevos renascentistas de figuras dançando. No topo, a alegre figura de um músico com um macaquinho como companheiro. Acontece que este músico está descalço ou com os sapatos esburacados, o que revela a sua exclusão da sociedade. Estas fontes coloridas não são um exclusivo de Berna. Encontramos pelo menos uma deste gênero em Lausanne, na Place de la Palud, e mais umas quantas em Basiléia. Mas Berna é indiscutivelmente a cidade das fontes.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Berna - BundesHaus


Parlamento Federal Suíço

Parlamento Federal Suíço
O Palácio Federal da Suíça (ou apenas Parlamento) não é uma atração imperdível, mas é um ponto importante na cidade. O prédio do Parlamento Federal Suíço tinha sido construído para ser um monumento nacional, mas devido a sua grandiosidade, ficou resolvido que ele seria transformado em Parlamento. O Parlamento fica na parte alta de Berna. Você poderá passear livremente pelo pátio do Parlamento para ver Berna e suas montanhas do alto. Inaugurado em 1902 o Parlamento Federal Suíço (BundesHaus) foi construído com 95% de materiais suíços, ilustrando um pouco da diversidade de materiais, culturas e pessoas espalhadas pelo país. O arquiteto responsável foi Hans Wilhelm Auer, natural de St. Gallen e envolveu a participação de 173 empresas e 38 artistas suíços. A intenção do arquiteto na concepção do edifício do Parlamento era replicar, no sentido figurativo, toda a Suíça. Ele elaborou um plano de imagens e imagens simbólicas que abrange três grandes temas: a história da nação baseada em mitos fundamentais, os fundamentos constitucionais e as virtudes gerais do Estado e a diversidade cultural, política, geográfica e econômica da Suíça.

Fundos do Parlamento Federal Suíço
A fachada norte do edifício do Parlamento vista de frente encontram-se três estátuas da autoria do escultor do Cantão de Vaud, Rodo de Niederhäusern, que simbolizam a Independência Política (ao meio), o Poder Executivo (à esquerda) e o Poder Legislativo (à direita). Os grifos, da autoria do artista plástico ticinense Anselmo Laurenti, representam a força (à direita) e a inteligência (à esquerda). As pedras de remate sobre as portas (de autoria de Maurice Hippolyte Reymond de Genebra) simbolizam a coragem, a sabedoria e a força. Nos nichos encontram-se duas alegorias do artista de Genebra, James André Vibert: à esquerda, a liberdade, representada por uma corrente rompida, e à direita, a paz, com uma espada na sua bainha. As duas figuras de bronze de Maurice Hippolyte Reymond lembram que a história se escreve tanto no passado (à esquerda) como no presente (à direita).

Detalhes da Decoração Externa
             do Parlamento Federal Suíço
O prédio tem uma arquitetura externa bem clássica e muito bonita e a decoração interna também não fica devendo em nada. Infelizmente não é possível bater fotos e nem fazer vídeos por questão de segurança. O tour é gratuito, mas é preciso reservar lugar. É possível escolher o tour em alemão, francês, italiano, inglês e espanhol. Claro que o tour em inglês ou em alemão é mais frequente, então é sempre bom ficar ligado e reservar com pelo menos uma semana de antecedência, caso você queira mesmo, porque a procura é muito alta. O tour acontece de segunda-feira a sábado, mas sempre quando não tiver seção no Parlamento. É necessário chegar com pelo menos 20 minutos de antecedência da hora marcada, para retirar os tickets, fazer o cadastro para pegar o crachá e por fim, ainda precisamos deixar nossos passaportes no controle de segurança (que serão devolvidos no final do tour). A entrada para o tour acontece através da Visitors’ Entrance Hall.

Bundesplatz
Após passar pelo controle de segurança, somos orientados a deixar as nossas bolsas e mochilas em um guarda-volumes. Aí é só esperar o guia chamar. O tour dura aproximadamente uma hora. Basicamente o que se pode visitar é: o hall principal, as salas de debates e o lobby hall. A maior parte da visita a gente fica no hall principal do Parlamento, bem onde está a sua cúpula central. A decoração é riquíssima, cada estátua, cada detalhe ou símbolo tem uma explicação. A parte interna do Parlamento é praticamente toda feita de mármore vindos da Itália. No hall principal existem duas grandes escadas que nos levam as salas de debates e ao lobby. Junto às escadarias, existem estátuas que representam os quatro idiomas oficiais do país: alemão, francês, italiano e o romanche. Além disso, outra obra que chama atenção são as três estátuas masculinas que unidas juntaram forças para criar a Confederação Helvética (Suíça). Mas o grande destaque fica para a cúpula central do Parlamento. No centro, uma bandeira da Suíça e ao seu redor, um vitral composto pelos brasões de cada Cantão que formam o país (exceto o Cantão de Jura, que ainda não existia quando o vitral tinha sido feito).

Bundesplatz
A Bundesplatz é uma praça situada em frente ao Parlamento onde eventos e mercados estão sempre acontecendo. No inverno, uma parte da Bundesplatz se transforma em pista de patinação no gelo artificial. As luzes coloridas deixam o ambiente mais alegre e animado. Também na frente do Parlamento foram construídas 26 fontes que jorram água até sete metros de altura simbolizando os 26 Cantões da Suíça. Elas receberam iluminação especial e são chamadas de “águas dançantes”. É a alegria da criançada no verão. Bem ali pertinho, está a Bärenplatzbrunnen, um calçadão rodeado de bares e restaurantes com mesinhas ao ar livre. Uma delícia!

domingo, 25 de outubro de 2015

Berna - Berner Münster

Fachada da Berner Münster
A Catedral de Berna é a maior e mais importante igreja medieval na Suíça. Começou a ser construída para ser uma igreja católica dedicada a São Vicente. Em 1528 veio a Reforma Protestante e sua construção ainda não havia sido terminada. Os protestantes resolveram dar continuidade com a obra, mas grande parte da decoração e das imagens da igreja foi removida. As únicas imagens que permaneceram na Catedral estão na porta principal. Situa-se na Münstergasse, foi construída no século XV e é um belo exemplo do gótico tardio. Seu tamanho impressiona. A Catedral demorou mais de 100 anos para ficar pronta, a pedra fundamental foi colocada em 1421, pois vários fatores como doenças e guerras sempre atrasaram a sua construção. A torre foi finalizada em 1588 com uma altura de 55 metros. A cúpula foi construída no século XIX no estilo neogótico com 101 metros de altura.

Escultura "O Juízo Final"


A Igreja é inteira linda. Na porta principal foi esculpida na pedra uma obra prima com 234 figuras que representa o Juízo Final: do lado esquerdo o Céu e do lado direito o Inferno. Ele representa a crença cristã de que Deus vai avaliar toda a humanidade no final dos tempos, separando os bons dos maus. As 47 estátuas maiores espalhadas pelo portal são réplicas, as originais estão no Museu de História de Berna, já as 170 esculturas menores são originais. A riqueza dos detalhes e ornamentos é impressionante. O interior da Catedral – apesar de não ser tão rebuscado, pois se trata de uma igreja protestante – impressiona pelo tamanho, pelos entalhes nas madeiras dos bancos e seus vitrais, muitos deles doados pelas famílias ricas da cidade e considerados os mais valiosos da Suíça. Admire a beleza dos muitos vitrais, alguns deles remontam a meados do século XV. Estude os entalhes dos profetas, dos Apóstolos e de cenas da vida cotidiana retratadas nos coros do século XVI. Veja os três órgãos, incluindo o órgão principal do século XVIII e ande ao longo das 12 capelas laterais.

Vitrais da Berner Münster
Além da igreja caprichada a Catedral de Berna (Berner Münster) te oferece uma experiência única, a chance de subir a torre mais alta da Suíça (são 344 degraus) e ter vistas divinas do Alpes de Berna, incluindo o Eiger e a Jungfrau. Dentro da Torre, há duas câmaras que abrigam os sinos da Catedral, provenientes de sete séculos diferentes. A também uma plataforma mais baixa, com “apenas” 222 degraus. Vale à pena subir a torre da Catedral de Berna. A visita a Catedral é gratuita, mas para subir na torre tem que pagar.

Órgão da Berner Münster
Bem ao lado da Catedral fica o Münsterplattform, que é uma plataforma com um muro de contenção onde tem um jardim com uma área bem agradável para passeios e eventos. O muro de contenção foi construído pouco depois de 1310 e essa área serviu como cemitério no século XV. A maior atração aqui é o terraço que proporciona uma vista linda do Rio Aar e da parte mais baixa de Berna e, em dias claros, pode-se ver as montanhas do Oberland Bernese. Se quiser descer até à beira do Rio é só pegar o elevador que está posicionado em um dos cantos dessa plataforma. Se quiser relaxar por ali, há um café que serve alguns pratos e bebidas. Durante alguns dias, é montada também uma feirinha de artesanato e produtos locais.

sábado, 24 de outubro de 2015

Tour pela Suíça - Berna

Marktgasse
Sabe cidade de desenho animado, toda perfeitinha, linda em cada esquina? Berna é assim. Berna é daquelas cidades que parecem de filme. É puro charme. Tem beleza por todos os cantos. Beleza natural, beleza feita pelo homem… não tem como não se apaixonar. Com ruelas medievais charmosas percorridas pelos trams elétricos (os bondes ou VLT’s) e prédios históricos ela parece não cansar de ser fotogênica independente para onde você olhe. Peça a um suíço para descrever Berna e você poderá ouvir uma piada, sobre como as pessoas se movem tão lentamente que até mesmo suas almas levam séculos para chegar ao céu. Apesar de ser verdade que esta cidade, no oeste da Suíça, é uma das capitais mais tranquilas da Europa, Berna também é uma das mais bonitas, com galerias e fontes fantásticas, tudo emoldurado pelas colinas verdejantes e pelas correntes verdes glaciais do Rio Aar. O Rio tem 195 quilômetros de comprimento, nasce na região dos Alpes, aos pés do Grimsel, e corre em um vale que cruza as cidades de Interlaken, Tune até Berna. É ponto de diversão dos jovens nos dias mais quentes do ano. É comum nadar ali e fazer piquenique em suas margens. O casario e os parques ao redor dele são um convite para apreciar a paisagem.

Marktgasse

Marktgasse

Münsterplatz
Não há evidências arqueológicas que indiquem o exato local onde era a antiga Berna de antes do século XII. Na Antiguidade, provavelmente no século II a.C., haveria um ópido celta que se localizava em uma região descrita como "Engehalbinsel" ao norte de Berna. Segundo mencionado por César, nesta época a região de Berna era um dos 12 ópidos dos Celtas-helvécios. Há registros de que, no início da Idade Média, um acordo foi mediado pelos romanos em Bümpliz, agora um distrito da cidade de Berna, a cerca de quatro quilômetros da futura cidade medieval de Berna.

Münsterplatz

Schweizerische Nationalbank
A cidade medieval de Berna foi fundada pela família real de Zähringer, que subiu ao poder na Borgonha Superior no século XII, e fazia parte do Sacro Império Romano. A cidade ocupava somente a península do Rio Aar. O local foi escolhido estrategicamente por causa da proteção natural do Rio que dificultava o acesso dos invasores. Na parte sem proteção das águas, foi construída uma muralha com torre de defesa. Segundo a lenda local, Berchtold V, Duque de Zähringen, prometeu nomear a cidade após o primeiro animal que ele conhecesse na caça, e este acabou por ser um urso. O urso é o símbolo de Berna (ele está inclusive representado na bandeira da capital suíça), que se localiza no planalto suíço, 20 quilômetros ao norte dos Alpes Berneses, envolta por uma paisagem que foi formada por geleiras durante a mais recente Era do Gelo. As duas montanhas mais próximas à cidade são o Monte Gurten, com uma altura de 958 metros e o Monte Bantiger, com uma altura de 947 metros. 

Helvetia Platz

Helvetia Platz
Em 1353, Berna juntou-se à Confederação Helvética, tornando-se um dos “oito Cantões” do período formativo (1353-1481). Apesar da peste que atingiu a Europa no século XIV, a cidade continuou a crescer, principalmente devido à imigração do campo circundante. Após um grande incêndio em 1405, os edifícios de madeira originais foram gradualmente substituídos por casas enxaimel e, mais tarde, por edifícios de arenito, que vieram a ser a característica da Cidade Velha. Berna foi invadida e conquistada por Argóvia em 1415, e por Vaud em 1536, bem como por outros territórios menores.

Mosesbrunnen
Berna foi ocupada pelas tropas da França em 1798, como parte das Guerras Revolucionárias Francesas, quando perdeu parte de seus territórios. Ainda no século XVIII, tornou-se a maior Cidade-Estado ao norte dos Alpes Suíços, que compreende o que é hoje o Cantão de Berna e o Cantão de Vaud. O Oberland Bernês foi recuperado em 1802 e, através do Congresso de Viena de 1814, a cidade adquiriu o Jura Bernês, tornando-se novamente o maior Cantão da Confederação. Assim se apresentou a região durante a Restauração Suíça, e até a separação do Cantão de Jura em 1979. Em 1848, Berna foi transformada na Cidade Federal, onde se localizava a Assembleia Federal do novo Estado Suíço. A cidade cresceu em direção ao oeste, rumo às fronteiras da península formada pelo Rio Aar. Várias pontes foram construídas para permitir que a cidade crescesse nas terras além do Rio. Boa parte da Cidade Velha está inscrita no Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1983, toda a região que vai da Ponte Nydegg (Nydeggbrücke) à Praça Bubbenberg (Bubbenbergerplatz), graças ao patrimônio medieval que conseguiu atravessar os séculos.

Zytglogge e Schützernbrunnen
O ar medieval da cidade, com seus muitos chafarizes e suas muitas fachadas de arenito, ruas estreitas (automóveis são proibidos) e torres históricas, possui uma característica única. Um dos melhores testemunhos do urbanismo medieval do Continente Europeu, lá se concentra magníficas fontes de água potável, cada uma com uma estátua de um personagem histórico ou figura lendária. Berna é conhecida como "Cidade das Fontes". São mais de 100 em atividade, sendo que 11 delas são heranças da Idade Média. Essas fontes foram construídas num período em que Berna estava se destacando como uma cidade próspera e elas serviam para mostrar a riqueza e o poder dos moradores e de Berna, bem como a abundância de água existente e que era desfrutada por todos. Cada uma é protegida por uma base e no centro está o pedestal com uma escultura no alto. Todas são bastante coloridas o que contrasta com os tons de cinza das construções ao redor e dá um charme ao local. E as fontes de Berna não são nada humildes, são verdadeiras obras de arte. Está certo que tem umas polêmicas, como a chamada Kindlifresser, que representa um ogro comendo criancinhas (o “bicho-papão” deles), mas o que impressiona mesmo são os detalhes. Você vai ficar boquiaberto! No Centro Histórico há um caminho com uma atrás da outra. Admire-as! Tome cuidado ao fotografá-las de perto, pois estão no meio da rua e passam carros e bondes. Em Berna você pode economizar um bom dinheiro em água, e você pode reabastecer sua garrafinha nelas.

Torre da Prisão
Das antigas trincheiras e dos baluartes, despenca-se abruptamente para o Rio. As butiques, os bares e cabarés do Centro Histórico da cidade – alguns dos quais se situam em porões abobadados – e os pequenos cafés de rua atraem tanto moradores locais quanto turistas. No Centro Histórico está a mais extensa calçada comercial coberta da Europa – são quase seis quilômetros que compõem esse circuito comercial – os moradores do local se referem a elas como “Lauben”. Pode estar chovendo, nevando ou com sol que o pedestre estará sempre protegido e conseguirá passear tranquilamente pelo Centro Histórico de Berna. Na região central, há padrões até para as flores. Gerânio vermelho é a única permitida nas janelas. Apesar de Berna apresentar uma excelente rede de transporte público, o melhor mesmo é explorar o centro da cidade a pé, partindo da Estação Central de Trem de Berna, a Bahnhof Bern que fica bem no coração da cidade, até os demais pontos turísticos da região.



Casino de Berna
A partir da Bahnhof Bern, seguindo a pé ou de tram pelas animadas ruas Spitalgasse e Marktgasse (a rua principal de Berna), chega-se à Torre do Relógio (Zytglogge), um dos pontos turísticos mais procurados da cidade, considerado uma obra-prima da fabricação de relógios medievais. A Torre e o Relógio medieval são de 1405, já seu calendário astrológico data de 1530. É fácil de ser encontrada: poucos minutos antes de bater as horas os turistas já estão atrás da Torre, esperando começar o mais antigo espetáculo da cidade. De hora em hora, diferentes figuras (ursos, um galo e até um bobo da corte) fazem sua aparição dançante e divertem os passantes. 

Você pode também visitar o interior da Torre do Relógio, que já serviu de Torre de Guarda e prisão de mulheres (principalmente as prostitutas que tinham relações sexuais com os padres/monges, crime grave na época). A Torre da Prisão foi um dos portões de acesso ao centro antigo da cidade, quando foi construída ela era a delimitação da cidade, mas, com o crescimento além das muralhas, hoje está posicionada no centro de Berna. Também já serviu como sede política do país. Você pode subir os seus 130 degraus em espiral para ver toda a engrenagem centenária do relógio e ter uma vista da cidade. Como o horário do passeio muda ao longo do ano, o melhor é ir até uma portinha de madeira instalada logo abaixo da Torre e verificar a agenda daquele dia. Normalmente o tour acontece no fim da tarde. Atualmente tem algumas exposições relacionadas a questões políticas da Suíça.

Einstein Haus
Às margens do Rio Aar, fica o Bären Park, onde é possível ver um dos maiores símbolos de Berna, os ursos. Nesse habitat, eles podem escalar, pescar e brincar, além de posar para as fotos dos turistas afoitos. Um dos melhores lugares para observar os ursinhos é da Nydeggbrücke. Vale lembrar que entre meados de novembro e o comecinho de março, os ursos entram em suas cavernas e dormem praticamente o inverno todo. De quando em quando eles saem para dar uma voltinha rápida, mas não é nada comum ver ursos acordados no inverno. Geralmente eles estão dormindo ou comendo. Bem de frente ao Parque fica um gostoso restaurante com mesinhas ao ar livre e vista para a cidade, o Altes Tramdepot. Passando pelo Parque dos Ursos, suba a bonita Rua Aargauerstalden até chegar à entrada do Rosengarten (Jardim de Rosas), um parque lindo que fica no alto de uma montanha com outra vista espetacular. Esse parque, que já foi cemitério até 1877, é hoje lar de mais de 200 tipos de espécies de rosas e tem uma área de lazer muito procurada por turistas e moradores. No inverno o parque fica um pouco mais tristonho e as árvores têm suas copas amarradas para aguentar a neve sem sofrer tanto. O Restaurant Rosengarten é uma ótima opção para um almoço rápido ou para beber alguma coisa no fim de tarde. Mas as mesas ali são bem disputadas nos dias mais quentes.

Museu Histórico de Berna
O físico de origem alemã Albert Einstein desenvolveu sua Teoria da Relatividade em Berna. Pois é, o gênio morou lá. A Casa Albert Einstein dá testemunho do período em que o gênio da física esteve em Berna, no início do século XX. E a sua passagem pela cidade será sempre lembrada, pois há um incrível Museu dedicado a ele, é possível visitar a casa onde ele morou. A casa é pequenina, porém fofa, o Museu é simples, mas traz informações interessantes. Não considero algo imperdível, mas acho que vale a pena para os curiosos de plantão. Para quem resolver conhecer o Museu Histórico de Berna, outro grande destaque é a construção externa do Museu, que parece um castelinho, isso sem falar nos seus jardins, que no outono fica muito bonito.

Jardins do Museu Histórico de Berna


Até hoje muitas pessoas ainda fazem confusão sobre qual é a capital da Suíça. Não, a capital da Suíça não é Zurique. A capital da Suíça é Berna. A língua oficial nesta Comuna é o alemão, mais de 80% da população. Visitei Berna no outono, quando as árvores ganham um tom dourado e o clima é bem agradável para aproveitar os espaços ao ar livre. Quem visita a cidade encontra um destino cheio de atrações, opções de lazer, eventos e uma vida cultural e gastronômica que não perde para qualquer outra grande cidade. A educação e atenção dos moradores para com os turistas são sensacionais. Basta você parar na rua e abrir o mapa da cidade que em poucos segundos um morador te pergunta se você está precisando de ajuda.