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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Belém do Pará - Dicas de O Que Fazer em Belém do Pará

Catedral Metropolitana de Belém

Belém é uma dessas cidades que arrebata o coração logo à primeira vista. Autêntica e criativa é uma das capitais mais interessantes do Brasil. Belém proporciona diversas possibilidades de cultura e lazer. A cidade é rica em construções históricas, praias e possui uma exuberante natureza, entrincheirada no meio das edificações modernas da capital, podendo ser observada nos seus diversos pontos turísticos, que são divididos em Complexos (Complexo Feliz Lusitânia, Complexo Ver-o-Peso, Complexo Ver-o-Rio), o que facilita em muito a visitação, já que está tudo praticamente no mesmo lugar. O Complexo Feliz Lusitânia está localizado no Bairro da Cidade Velha. O Complexo contempla a Catedral Metropolitana de Belém, a Praça Dom Frei Caetano Brandão, a Casa das Onze Janelas, a Corveta Museu Solimões, o Forte do Presépio e o Complexo de Santo Alexandre (onde se encontra a Igreja e o Museu de Arte Sacra do Pará, considerado um dos mais belos do Brasil).

Complexo Feliz Lusitânia

Complexo Ver-o-Peso
O Ver-o-Peso se estende por um complexo arquitetônico e paisagístico de 25 mil metros quadrados, com uma série de construções históricas. O conjunto tombado inclui o Boulevard Castilhos França (uma das primeiras vias largas da cidade, projetada com preocupação paisagística com influência Art Noveau), o Mercado de Carne (Mercado Francisco Bolonha) e o Mercado de Peixe (Mercado Bolonha de Peixe, é o primeiro mercado municipal de peixes da cidade de Belém, inaugurado em 1901), o casario, as Praças do Relógio e Dom Pedro II, a doca de embarcações, a Feira do Açaí (é uma feira a céu aberto, localizada atrás do Forte do Presépio, que abastece a cidade com o fruto açaí plantado nas ilhas da região), o Solar da Beira (é um prédio público construído em estilo neoclássico e em 1985 foi transformado em restaurante e local de eventos) e a Ladeira do Castelo (é a primeira rua de Belém, fica ao lado do Forte do Presépio, que liga a Feira do Açaí ao Largo da Sé). Destaca-se como um lugar de intensa vida social e intercâmbio cultural, onde as práticas trabalhistas tradicionais tem lugar e uma complexa teia de relações sociais é tecida. 

Mercado Ver-o-Peso

Estação das Docas

Mas o entorno do Complexo Ver-o-Peso é também riquíssimo em termos arquitetônicos, históricos e antropológicos, vamos dizer assim. No cais, nas margens, o que se vê é uma floresta de mastros, bandeiras, bandeirolas, redes e corda. Bem ao lado do Ver-o-Peso, fica a Estação das Docas, um belo complexo cultural e atração imperdível na cidade. Venha ver o pôr do sol e aproveite para tomar um delicioso sorvete da Sorveteria Cairu, um clássico paraense. O local tem sabores exóticos de frutas da Amazônia (como açaí, cupuaçu, cajá, taperebá) e delícias como tapioca. Se preferir algo mais forte, peça um chope na cervejaria da Amazônia, a Amazon Beer. Ao final da tarde, depois de um dia repleto de visitas a atrações de Belém, nada melhor do que parar para descansar, sentar e beber uma cerveja gelada com o rio como pano de fundo e o sol no horizonte. É também da Estação das Docas que sai de terça-feira a domingo, às 17:30 horas, o passeio fluvial Orla ao Entardecer, da Valeverde Turismo, uma experiência divertidíssima.

Pôr do Sol na Estação das Docas

Baía do Guajará

Numa área de cinco mil metros quadrados de frente para a Baía do Guajará no Bairro Umarizal em Belém, próximo ao Centro de Ciências Sociais e Educação da Universidade do Estado do Pará – UEPA, o projeto alia contemplação à natureza com a praticidade na utilização do espaço urbano. Comidas típicas, shows musicais, cultura e uma exuberante paisagem podem ser apreciados no Complexo Turístico Ver-o-Rio, uma espécie de praça pública, pertinho do centro da cidade. O Complexo Turístico do Ver-o-Rio é considerado um dos melhores locais de lazer em família da capital paraense, o lago natural com os pedalinhos e a maravilhosa vista da Baía do Guajará são atrativos não só para os belenenses como para os turistas também. No local, você também encontra o Restaurante Pier 47. Dentro do restaurante, os visitantes têm a sensação de estar em alto mar, já que a casa funciona dentro da Balsa Lady Lu, que fica ancorada no rio, um cenário perfeito para casais de namorados e turistas, que sempre aparecem por lá. 

Baía do Guajará

Theatro da Paz

Outra experiência que você só vai ter em Belém, é o tour guiado ao Theatro da Paz, um dos ícones da cidade e símbolo do Ciclo da Borracha, O Theatro é belíssimo e os guias são ótimos. As visitas guiadas acontecem todos os dias, com exceção da segunda-feira. A visita é gratuita às quartas-feiras. Para quem adora prédios históricos e arquitetônicos, o Theatro da Paz é parada obrigatória. Não muito longe do Theatro da Paz fica a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. É, seguramente, uma das mais belas e importantes igrejas de Belém e, deve fazer parte da sua lista de coisas a visitar em Belém. A Basílica é o local onde termina a procissão do Círio de Nazaré, que junta anualmente cerca de dois milhões de pessoas na capital do Pará. Os visitantes costumam fazer pedidos e pendurar fitinhas no lado de fora da Igreja. Vale muito a visita.

Basílica Nossa Senhora de Nazaré

Museu Paraense Emílio Goeldi
Além dos locais históricos, a cidade também conta com uma gama de locais para se divertir e relaxar. Os amantes da natureza vão adorar conhecer o Museu Paraense Emílio Goeldi, localizado a cerca de 20 minutos do centro. Parte parque ambiental, parte museu e parte estação ecológica, a instituição realiza pesquisas sobre a cultura, o meio ambiente e a sociedade da Amazônia, além de ser um centro de referência em biodiversidade. Nele, inclusive, há um incrível Parque Zoobotânico repleto de plantas e animais nativos.

Terminamos nossa estadia em Belém. Foram cinco dias muito bons. Também não foi possível completar todo o roteiro estabelecido, também não visitamos nenhum shopping, nem tivemos tempo para isso, mas a cidade é cativante. Ficamos encantados com a Estação das Docas, única no Brasil. Quando forem a Belém, não deixem de experimentar os pratos típicos da cidade. A Belém gastronômica é um interessante caldeirão de misturas étnicas. A comida indígena paraense tem sabores africanos, portugueses, alemães, japoneses, libaneses, sírios, judeus, ingleses, barbadianos, espanhóis, franceses e italianos. Os povos que chegaram à capital se encantaram com a cozinha nativa e, aos poucos, foram incorporando seus ingredientes. Voltaremos um dia. Com esta postagem acabo de contar os 10 dias de viagem na Região Norte do Brasil (Manaus e Belém do Pará). A volta para Campinas foi uma “via sacra”, fizemos escala em Marabá e em Brasília. O Aeroporto Internacional de Brasília — Presidente Juscelino Kubitschek, estava um caos por causa das obras da Copa do Mundo, nem parecia que estávamos na capital do país.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Belém do Pará - Museu Paraense Emílio Goeldi

Museu Paraense Emílio Goeldi
O Museu Paraense Emílio Goeldi (inicialmente denominado Associação Philomática) popularmente conhecido como Museu Goeldi, é uma instituição pública fundada em 1871, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia do Governo Federal, localizado no município brasileiro de Belém, capital do Estado do Pará. O Museu Paraense Emílio Goeldi é a mais antiga instituição da Região Amazônica e é reconhecido mundialmente como uma das mais importantes instituições de investigação científica sobre a Amazônia Brasileira. Tem a missão de produzir e difundir conhecimentos e acervos sobre sistemas naturais e socioculturais relacionados à Amazônia. É considerado pelo Ministério do Turismo como um dos 65 destinos turísticos Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional.

Museu Paraense Emílio Goeldi
O século XIX foi o auge das expedições naturalistas à Amazônia e desde os primeiros anos, acorreram à região, viajantes ingleses, franceses, italianos, norte-americanos e russos. A Abertura dos Portos em 1808 tornou o Brasil mais acessível aos viajantes naturalistas e artistas que vieram com grande entusiasmo para estudar e retratar a natureza amazônica. Criado em 1866, a partir da instalação da Associação Philomática, núcleo originário do Museu, sua principal finalidade era o estudo da natureza amazônica: flora, fauna, geologia, geografia e assuntos correlatos como a história do Pará e Amazonas. A urbanização e o crescimento da cidade transformaram-na em metrópole, onde um dos marcos desta mudança ocorreu em março de 1871, quando o Governo do Estado do Pará instalou, oficialmente, o Museu Paraense. 

Museu Paraense Emílio Goeldi
Apesar da clara necessidade da existência de um museu na cidade, uma vez que na segunda metade do século XIX despontava economicamente por conta da exportação da borracha e, consequentemente, via expandir o movimento cultural, o Museu passou por dificuldades por mais de duas décadas. Inicialmente, sua instalação foi precária, com reduzida equipe técnica e falta de apoio às pesquisas, levando as coleções existentes a se perderem com as más condições de conservação. Assim, a produção científica praticamente resumiu-se aos próprios trabalhos do presidente da instituição, sobre geografia, arqueologia e outros assuntos. Em 1889, com a morte do naturalista o museu foi subutilizado e em seguida fechado.

Museu Paraense Emílio Goeldi
Influenciados pela filosofia do Positivismo, os políticos Justo Chermont, José Veríssimo e Lauro Sodré reabriram o Museu Paraense, pois perceberam a importância que o local tinha para a cultura da região. Em 1893, o governador Lauro Sodré recrutou da cidade do Rio de Janeiro o naturalista suíço, Emílio Goeldi (Émil August Goeldi), demitido do Museu Nacional por questões políticas após a Proclamação da República. O zoólogo assumiu a direção do Museu com a missão de transformá-lo em um grande centro de pesquisa sobre a Região Amazônica. Sua estrutura foi modificada para enquadrá-lo aos padrões dos museus de história, sendo contratada uma produtiva equipe de cientistas e técnicos. Em 1895, criava-se o Parque Zoobotânico, com mostra da fauna e flora regionais para educação e lazer da população. Em 1896, começou a publicação do Boletim Científico. 

Museu Paraense Emílio Goeldi



Grande parte da Amazônia foi visitada, realizando-se intensivas coletas para formar as primeiras coleções zoológicas, botânicas, geológicas e etnográficas. Goeldi contratou o excelente pintor e profundo conhecedor do ambiente amazônico, Ernesto Lohse, que ilustrou o livro “Álbum de Aves Amazônicas” (Lohse viria a ser morto, durante a Revolução de 1930, à porta do Museu). Na virada do século, o Brasil consolidava suas fronteiras e nessa ocasião, os limites entre Brasil e França, no norte do Pará, estavam sendo questionados por ambos os países. As pesquisas que o Museu Paraense iniciava na região, levantando dados sobre a geologia, a geografia, a fauna, a flora, a arqueologia e a população, foram decisivas para municiar a defesa dos interesses brasileiros, representados pelo Barão do Rio Branco. Em dezembro de 1900, com intermédio de laudo de Berna, na Suíça, sede do julgamento internacional, o Amapá foi definitivamente incorporado ao território do Brasil. Em homenagem a Emílio Goeldi, foi alterada a denominação do Museu Paraense, que passou a se chamar Museu Goeldi.

Viveiros no Museu Paraense
Desde 1850, a Febre Amarela causava muitas mortes em Belém e dentre suas vítimas, incluíram-se dois pesquisadores recém-chegados da Europa para trabalhar na Seção de Geologia do Museu Paraense. Emílio Goeldi decidiu então incorporar-se à luta contra a doença, procurando identificar as principais espécies de mosquitos da Amazônia, bem como o ciclo reprodutivo desses insetos. As pesquisas intensificaram-se a partir de 1902, quando Goeldi publicou, no Diário Oficial, um trabalho sobre profilaxia e combate à Febre Amarela, Malária e Filariose, antecedendo as recomendações que o médico Oswaldo Cruz faria quando esteve em Belém, em 1910.

Antigas estruturas em madeira no Museu Paraense
Durante a gestão Goeldi, o Museu ganhou respeito internacional, sendo desenvolvidas pesquisas geográficas, geológicas, climatológicas, agrícolas, faunísticas, florísticas, arqueológicas, etnológicas e museológicas. O papel educacional do Museu foi reforçado com o Parque Zoobotânico, publicações, conferências e exposições. Em 1907, após 13 anos de atividades incessantes em Belém, Emílio Goeldi retirou-se, doente, para a Suíça, aonde veio a falecer em 1917 e seu conterrâneo, o botânico Jacques Huber, assumiu a direção do Museu Goeldi, juntamente com o amigo marinheiro Nabor da Gama Junior.

Passarela de madeira entre as árvores
A Revolução de 1930 e o período posterior, marcado pela ditadura de Getúlio Vargas, foi o início da transformação pela qual o Estado brasileiro passaria e as velhas oligarquias agrárias estavam sendo substituídas por uma nova classe, representante do poder industrial. De acordo com a ideologia do novo regime, caracterizada pelo populismo e pelo nacionalismo, foram recuperadas as dependências do Parque Zoobotânico (principal área de lazer da população) e alterou-se novamente o nome da instituição, para Museu Paraense Emílio Goeldi.

"Castelinho"
A partir de 1931, através de investimentos regulares, o Parque Zoobotânico tornou-se reconhecido nacionalmente, chegando a abrigar 2.000 exemplares de animais vertebrados e centenas de espécies da região, muitas das quais raras ou pouco conhecidas. Esse reconhecimento foi possível graças à subvenção que o Governo Estadual impôs às prefeituras do interior, obrigando-as a remeter mensalmente animais e parte de sua arrecadação ao Museu Goeldi. Muitas espécies foram reproduzidas em cativeiro com sucesso, em especial répteis e peixes. Somente nos três primeiros anos de coletas sistemáticas, foram descritas cinco novas espécies de peixes, inclusive um gênero novo.

Domingos Soares Ferreira Penna
No início dos anos de 1950, o Museu foi vinculado ao recém-criado Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), juntamente com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), instalado em Manaus. Em dezembro de 1954, o então diretor do INPA, firmou com o Governador do Pará, um Termo de Acordo pelo qual o Museu Goeldi seria administrado e recuperado pelo INPA, durante 20 anos. Com essa medida, o Museu Goeldi pôde, mesmo com dificuldades, intensificar suas pesquisas científicas. Na década de 1970, a limitação do espaço do Parque Zoobotânico, impedia o crescimento do Museu Goeldi e esse foi o principal motivo para a instalação de um Campus de Pesquisa, na periferia da cidade, com 12 hectares, para onde foram transferidos os Departamentos de Pesquisa (botânica, zoologia, ciências humanas, ciências da terra e ecologia), a Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna, o Arquivo Guilherme de La Penha, o Horto Botânico Jacques Huber e a administração. O Campus de Pesquisa já é o local principal da realização dos experimentos científicos e da guarda das coleções do Museu. O Parque Zoobotânico permanece como uma mostra viva da natureza amazônica e ponto de referência para o programa de educação científica do Museu Goeldi.

A Herma, de Spix e Martius
A mais recente base física, a Estação Científica Ferreira Penna (ECFP), foi inaugurada em 1993, em 33.000 hectares da Floresta Nacional de Caxiuanã, Município de Melgaço, a aproximadamente 400 quilômetros de Belém. A área foi cedida pelo IBAMA e a base foi construída com recursos da Overseas Development Administration (ODA), atual DFID/Reino Unido. A ECFP destina-se à execução de programas de pesquisa e ações de desenvolvimento comunitário nas diversas áreas do conhecimento (há aproximadamente 200 famílias vivendo no interior da floresta e arredores), possuindo excelente infraestrutura para o desenvolvimento de pesquisas em ambientes de floresta primária, sendo muito visitada por cientistas de instituições nacionais e estrangeiras. Desde o ano 2000, o Museu Paraense Emílio Goeldi saiu do âmbito do CNPq, ficando subordinado, diretamente, ao Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil.

Garça vermelha
Atualmente, o Museu possui três bases físicas. A mais antiga foi instalada em 1895 numa área de 5,2 hectares, atualmente conhecida como Parque Zoobotânico. Localizado no centro urbano de Belém, nele se encontram a Diretoria, as Coordenações de Administração e Museologia, a Assessoria de Comunicação Social e a Editora do Museu. O Parque possui cerca de 2.000 árvores nativas da região, como sumaúma, acapu e cedro, e 600 animais, muitos deles ameaçados de extinção, como o peixe-boi, a arara-azul, o pirarucu e a onça pintada. Possui ainda, um aquário com uma mostra de peixes e ambientes aquáticos amazônicos e, além disso, mantém uma exposição permanente sobre a obra de Emílio Goeldi e as primeiras coleções formadas pelo naturalista. O Parque recebe mais de 400 mil visitantes anualmente, entre moradores de Belém e turistas. Os visitantes também têm a possibilidade de contemplar monumentos históricos como o “Castelinho” (antiga caixa d’água modelada para parecer as ruínas de um castelo) e exposições no Pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna, a Rocinha do Museu Goeldi, antiga casa rural construída no século XIX.

Vitória-Régia

Sumaúma
Jacarés
Tartarugas

domingo, 2 de agosto de 2015

Belém do Pará - Praça da República

Praça da República
A mais conhecida praça de Belém não é apenas uma das áreas de lazer mais procuradas pela população, principalmente aos finais de semana. É um referencial histórico. A Praça da República no início era o Largo da Campina, um imenso terreno descampado que ficava entre o Bairro da Campina e a estrada que levava à Ermida de Nossa Senhora de Nazaré, hoje, Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré. Depois, no século XVIII, lá foi construído um imenso armazém para se guardar pólvora, trocando-lhe o nome para Largo da Pólvora. Uma forca foi erguida, mas não há registro de nenhum enforcamento. O que se sabe é que o espaço era usado para sepultar, em cova rasa, escravos e pobres. Na época do Segundo Império, em homenagem ao Imperador, lhe deram o nome de Pedro II, mas continuava sendo um grande terreno descampado. 


Praça da República

Teatro Experimental Waldemar Henrique
Porém, foi Antônio Lemos, em 1878, que fez a Praça da República merecedora do título “belíssima”. Lemos fez sérias críticas ao projeto urbanístico da Praça no relatório ao Conselho de Intendência Municipal. Ele modificou completamente a aparência do logradouro, trocando, inclusive, a pavimentação das ruas que limitavam a Praça por paralelepípedos. Com a inauguração do Theatro da Paz houve uma urbanização, também modesta. Seu nome definitivo veio com a troca de regime: “Praça da República”.

Teatro Experimental Waldemar Henrique
O Governador Justo Chermont idealizou a construção de um monumento em homenagem à República em 1889. A pedra fundamental foi colocada no ano seguinte, mas foi um concurso que decidiu a forma do monumento. Participaram da seleção feita por um júri composto de políticos e profissionais do Estado, vários artistas estrangeiros. Por maioria, foi escolhido o projeto do escultor italiano Michele Sansebastiano, que recebeu algumas alterações antes de ser finalizado. A principal modificação foi a substituição do ramo de oliveira por uma espada na mão da República, com maior valor simbólico. A obra teve início em 1892 e inaugurada em 15 de novembro de 1897.
Escola de Arte da Universidade Federal do Pará
Todo em mármore de Carrara e bronze, o monumento tem 20 metros de altura. Apresenta conjunto escultórico erguido sobre quatro degraus, um pedestal de quatro faces e uma coluna dórica. No alto da coluna está a figura principal, a Marianne com as insígnias revolucionárias da sua identidade, representando a República. A estátua é de uma mulher, representando o regime democrático, com um ramo de oliveira na mão, simbolizando a paz. Simbolicamente representando o Progresso Nacional apoiado sobre o novo regime que levanta, vê-se sobre o pedestal um conjunto escultórico com a figura de um gênio alado, de 6,70 metros de altura até a ponta do estandarte da República por ele levantado, gritando: “Liberdade!”. O gênio apoia-se em um leão, que simboliza a força.

Teatro Experimental Waldemar Henrique
       e Escola de Arte da Universidade Federal do Pará
Do outro lado do degrau, na figura de uma mulher alada, a História, sentada sobre vários livros, com cinco metros de altura desde a extremidade do manto até a asa, registra, em uma folha em branco de um grande volume, sustentada por um gênio, a data da Proclamação da República. Sentados nas laterais do monumento, dois pequenos gênios, com 2,6 metros de altura cada, erguem os escudos da “Probidade” e da “União”. As quatro placas em homenagem a Floriano Peixoto, José Bonifácio, Tiradentes e Benjamim Constant foram anexadas ao monumento posteriormente. A primeira tentativa de urbanização da Praça foi em 1901, com o Intendente de Belém, Arthur Índio do Brasil. Ele fez o calçamento nas suas avenidas, cimentou os passeios, colocou chafarizes e bancos e ajardinou as alamedas.
Praça da República
Hoje a Praça da República torna-se o palco ideal de grandes comemorações como o Círio de Nazaré, o Dia da Raça e o Desfile de Sete de Setembro. Nos outros 362 dias do ano, é o lugar ideal para passear com a família, fazer evangelismo, encontrar os amigos ou namorar. A Praça ainda abriga o Teatro Waldemar Henrique, a Escola de Arte da Universidade Federal do Pará, o lendário Bar do Parque (que resiste como reduto da boemia), um anfiteatro para espetáculos ao ar livre e de sexta-feira a domingo a Feira de Artesanato. Nos coretos de ferro e frondosas mangueiras estão uma mostra de Belém de todos os tempos. Na Praça encontram-se mais três pontos importantes de Belém: o Parque João Coelho, a Praça da Sereia e o Theatro da Paz.

sábado, 1 de agosto de 2015

Belém do Pará - Theatro da Paz

Fachada do Theatro da Paz
O Theatro da Paz, originalmente chamava-se Theatro Nossa Senhora da Paz, nome dado pelo Bispo da época, em homenagem ao fim da Guerra do Paraguai, porém sua nomenclatura foi modificada a pedido do próprio Bispo, ao ver que o nome de “Nossa Senhora” seria indigno figurar na fachada de um espaço onde se tinha apresentações mundanas e sem representação eclesiástica alguma. Inspirado no Teatro Scalla, uma das mais famosas casas de ópera do mundo (em Milão, na Itália), foi construído com recursos auferidos da exportação de látex, no Ciclo da Borracha. Mantinha o status de maior teatro da Região Norte, até ser ultrapassado pelo Teatro Estadual Palácio das Artes Rondônia, e um dos mais luxuosos do país, com cerca de 140 anos de história, além de também ser considerado um dos teatros-monumentos do Brasil, segundo o IPHAN.

Mezanino do Theatro da Paz
Belém viveu um significativo processo de transformação socioeconômica nesse período, chegando a ser chamada de “A Capital da Borracha”. Mas, apesar desse progresso a cidade ainda não possuía um teatro de grande porte, capaz de receber espetáculos do gênero lírico. Buscando satisfazer o anseio da sociedade da época, o Governo da Província contrata o engenheiro militar pernambucano José Tibúrcio de Magalhães. Foi construído por Calandrine de Chermont com pequenas alterações introduzidas pela Repartição de Obras Públicas. Ficou pronto em 1874, mas, devido a denúncias contra os construtores, um inquérito foi aberto e o teatro só foi inaugurado após a sua conclusão. Com o drama de Adolphe d'Ennery, “As duas órfãs”, em fevereiro de 1878, o Theatro da Paz foi aberto ao público, ao som da Orquestra Sinfônica do maestro Francisco Libânio Collas. O espetáculo foi organizado pela companhia de Vicente Pontes de Oliveira. O contrato durou cinco anos e fez de Vicente Oliveira o encarregado pela iluminação, decoração, coreografia e acessórios de cena no Theatro, além de organizador das apresentações que se seguiram. 

Brasão de Armas do Estado do Pará
O Theatro sofreu alterações na sua fachada, após uma grande reforma no início do século XX. Foi retirada uma coluna no pátio frontal superior do Theatro, que era em número de sete, o que feria os preceitos arquitetônicos do período neoclássico, que pede número par de colunas em frontarias. Toda a fachada, que era um pátio coberto, foi demolida, e reconstruída recuando a fachada e retirando a coluna, e no vácuo que ficou à mostra, antes preenchido por pequenas janelas, foram colocados bustos simbolizando as artes: Dança, Poesia, Música e Tragédia, e ao centro o Brasão de Armas do Estado do Pará, para fortalecer a simbologia republicana que estava enfim instaurada. Entretanto, suas linhas arquitetônicas gerais foram mantidas.

Escadarias de Acesso ao Hall de Entrada do Theatro da Paz

Hall de Entrada do Theatro da Paz
com os Bustos 
de José de Alencar
e Gonçalves Dias
O Hall de Entrada é composto por materiais decorativos importados da Europa: ferro fundido inglês nos arcos das portas; escadaria em mármore italiano; lustre francês; bustos em mármore de Carrara dos escritores brasileiros José de Alencar e Gonçalves Dias, introdutores do indianismo no Brasil; estátuas em bronze francês; piso com pedras portuguesas formando mosaico e coladas com o grude da Gurijuba (peixe encontrado na região); paredes e teto pintados representando as artes gregas.



Escadarias de Mármore do Hall de Entrada do Theatro da Paz

Detalhes da decoração Hall de Entrada do Theatro da Paz

Hall de Entrada visto das escadarias
        em mármore italiano
Em 1905 é fechada a porta principal do Corredor de Frisas que dava acesso ao Salão de Espetáculos, já que ela prejudicava a acústica, em seu lugar é colocado um espelho em cristal francês. Além do espelho foram acrescentadas estátuas em pedra francesa e nas paredes foram fixadas placas em ferro esmaltado contendo o regulamento da época informando que “é proibido fumar”. O piso foi decorado em Parquet, utilizando as madeiras regionais como acapu e pau amarelo.

Entrada para a Sala de Espetáculos do Theatro da Paz

Sala de Espetáculos do Theatro da Paz
A Sala de Espetáculos que originalmente possuía 1100 lugares, hoje comporta 900. As cadeiras conservam o estilo da época em madeira e palhinha adequadas ao clima da região. A balaustrada é toda em ferro inglês folheado a ouro. A pintura em afresco do teto central apresenta elementos da mitologia greco-romana fazendo uma alusão ao Deus Apolo conduzindo a Deusa Afrodite e as musas das artes à Amazônia. No centro do teto foi adaptado o lustre em bronze americano que substituiu um grande ventilador que ajudava amenizar o calor. Nas paredes, com motivos florais, as pinturas imitam o papel de parede. O forro dos camarotes foi pintado obedecendo à hierarquia social da época; para a 1ª classe eram utilizadas as seguintes localidades: varanda, plateia, frisas, camarotes e proscênios de 1ª ordem; para a 2ª classe: galerias, camarotes e proscênios de 2ª ordem e para 3ª classe paraíso. Os proscênios eram reservados as autoridades como: Prefeito, chefe de polícia e diretores de escola. O Camarote Imperial, atualmente do Governador, situado na 1ª ordem de camarotes é ornamentado com mobília em madeira regional. O Pano de Boca pintado na França no ateliê Carpezat intitulado “Alegoria à República“ foi inaugurado em 1890 em celebração à República Brasileira.

Detalhes das escadas para os camarotes

Detalhes em metal do corrimão das escadas para os camarotes

Bustos de Carlos Gomes e Henrique Gurjão
no 
Salão Nobre do Theatro da Paz
No segundo andar do Theatro situa-se o Salão Nobre (Foyer), local onde a nobreza costumava se reunir, para bailes, pequenos recitais e durantes os intervalos dos espetáculos, é um espaço altamente decorado com espelhos e lustres em cristal francês e bustos em mármore de Carrara de dois grandes compositores da época: Carlos Gomes e Henrique Gurjão. O mezanino do salão era o local usado pelos músicos nos eventos sociais e frequentado pelas pessoas do "paraíso" em noite de espetáculos. Quanto à pintura do teto feita em 1960 é do pernambucano Armando Balloni, que se inspira nas musas da música ladeadas pela fauna e flora amazônica. As paredes, pintadas pelos italianos, retratam motivos neoclássicos com buquês de flores.

Salão Nobre do Theatro da Paz

Pintura no teto do Salão Nobre do Theatro da Paz

Lustre no Salão Nobre
Ali Carlos Gomes encenou sua mais famosa ópera, “O Guarani”, e a bailarina russa, Ana Pavlova, passou com suas sapatilhas. O decorador desse cenário privilegiado foi o italiano Domenico de Angelis que, posteriormente, decorou o Teatro Amazonas, de Manaus. Durante o Ciclo da Borracha, as mais famosas companhias líricas se apresentaram ali. Com o declínio da borracha, o Theatro da Paz passou por dificuldades. Vale ressaltar que nem só de arte viveu o Theatro. Ao longo do século XX, foram oferecidos jantares e banquetes, promoveram-se convenções político-partidárias e até mesmo a Assembleia Legislativa do Estado realizou ali sessões, em 1959.


Pintura neoclássica no teto do
           Salão Nobre do Theatro da Paz






Piso decorado em parquê do
Salão Nobre do Theatro da Paz

















Sem apresentações, estava quase sempre fechado, e as restaurações não eram suficientes para lhe garantir um bom funcionamento. Entre 1971 e 1975, fez-se a reconstrução das estruturas frontais e laterais, remanejamento estrutural de telhado e platibandas, restauração da rede elétrica e de esgoto. Em 1977, às vésperas do centenário o Theatro foi novamente fechado para restauro. As obras abrangeram a recuperação do sistema acústico e instalação do sistema de ar condicionado assim como de novos equipamentos de luminotécnica e cenotécnica. O Pano de Boca, por muitos anos em completo abandono, foi restaurado. Na comemoração aos 111 anos do Theatro em 1988, foram restaurados os lustres de cristal, o mobiliário, a decoração do proscênio com a reposição de folhas de ouro e foi feita a descupinização de todo o prédio. Em 1996 formou-se a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP), a primeira de sua história e a primeira do gênero da Região Norte. Atualmente tem visitas guiadas, de hora em hora.

Mezanino do Salão Nobre do Theatro da Paz


Colunas do Mezanino do Salão Nobre do Theatro da Paz