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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Belém do Pará - Praça Siqueira Campos

Relógio da Praça Siqueira Campos
A Praça Siqueira Campos, cartão postal da cidade de Belém do Pará, é mais conhecida como Praça do Relógio e situa-se na Doca do Ver-o-Peso na Avenida Portugal, no Bairro da Cidade Velha. É conhecida por abrigar enorme relógio inglês em seu centro. O Relógio é símbolo da passagem de épocas, marcadas por crises econômicas e transformações políticas. Foi erguido na virada das décadas de 1920 e 1930. O local escolhido para a construção da Praça era um terreno baldio conhecido como Praça dos Aliados, no local onde existiria o Palácio da Bolsa de Comércio, cuja construção chegou a ser iniciada, mas não foi concluída, devido à crise da borracha, principal produto econômico da região no século XIX até o início do século XX, e cujo declínio representou um forte abalo na até então rica e próspera economia da região. Anterior a tudo isso, no lugar existia a embocadura do Igarapé do Piri

Praça Siqueira Campos


No lugar do que seria o marco do vigor econômico, e que ficou abandonado por anos, foi construída a Praça com relógio ao centro, que passou então a ser espaço de ampla circulação social e palco de manifestações políticas, tornando-se um ícone da cidade. Na memória cultural histórica da “Cidade das Mangueiras”, o monumento que ornamenta a Praça, foi encomendado pelo Intendente de Belém para homenagear um dos 18 revolucionários paraenses heróis do Forte de Copacabana. O monumento que deveria decorar a Praça seria de um relógio a ser instalado no alto de uma elegante torre de ferro, de 12 metros de altura, com decoração que indicasse os pontos cardeais e quatro medalhões simbolizando as quatro estações do ano escritas em italiano, mostrador com iluminação noturna e sirene elétrica que deveria tocar às 8:00, 12:00 e 18:00 horas. Compondo o belo visual da Praça, acompanham quatro postes de ferro com belas luminárias, porém mais antigos. Foram fabricados pela Macfarlane em 1893. 

Praça Siqueira Campos
Na segunda metade do século XX e início do século XXI, a popularmente conhecida como “Praça do Relógio” passou por algumas reformas. Uma delas, nos anos 1990, foi inserida dentro do projeto da Prefeitura de Belém de "Revalorização Cromática dos Elementos em Ferro" dos monumentos do Centro Histórico. Outra reduziu o quadrilátero original da Praça. Quanto ao funcionamento do Relógio, por várias vezes foi interrompido, algumas por anos, por falta de manutenção. O Relógio parado parece estancar o tempo em uma cidade que clama por espaços de patrimônio preservados. Mesmo não se ouvindo mais o toque da sirene e nem vendo seus ponteiros luminosos à noite, o relógio inglês continua a orientar os belenenses que percorrem todos os dias aquelas ruas no ritmo acelerado do trabalho.

Prédios Históricos na Praça Siqueira Campos

A Praça do Relógio faz parte do Complexo Arquitetônico e Paisagístico do Ver-o-Peso tombado pelo IPHAN, em 1977, que compreende uma área de 35 mil metros quadrados, com uma série de construções históricas, incluindo o Logradouro Boulevard Castilhos França, o Mercado da Carne, o Mercado de Peixe, a Doca do Ver-o-Peso, a Feira do Açaí, a Ladeira do Castelo e, o Solar da Beira. Hoje o endereço é conhecido por todos como um quadrilátero que compreende a Travessa Marques de Pombal, Rua Padre Champagnat, Avenida 16 de Novembro e a Doca do Ver-o-Peso

domingo, 26 de julho de 2015

Belém do Pará - Igreja de Nossa Senhora das Mercês

Igreja de Nossa Senhora das Mercês
A Igreja de Nossa Senhora das Mercês localiza-se na Praça Visconde do Rio Branco, popularmente conhecida como Praça das Mercês, na cidade de Belém, no Estado brasileiro do Pará. Quando do regresso da expedição de Pedro Teixeira, vieram dois religiosos espanhóis da Ordem Calçada de Nossa Senhora das Mercês: Frei Pedro de La Rua Cirne e Frei João das Mercês. Esses religiosos em Belém, iniciando em 1640 a construção da Igreja e do Convento das Mercês, originalmente de taipa coberta por palha. Logo, a Igreja foi reformada com taipa de mão e pilão. Mais tarde, em 1753, foi reconstruído em alvenaria de pedra, com projeto do arquiteto italiano Antônio José Landi em estilo barroco primitivo. As obras foram concluídas em 1777. O Tratado de Tordesilhas dividiu o Brasil em dois, e Belém ficou sob o domínio da Coroa Portuguesa. A Ordem dos Mercedários permaneceu no Pará até 1794, quando foi expulsa pela Coroa Portuguesa.


Fachada da Igreja de Nossa Senhora das Mercês datada de 1640

Altar-Mor da Igreja de Nossa Senhora das Mercês

Capela-Mor da Igreja de Nossa Senhora das Mercês
Foi intensamente utilizada durante a Revolta da Cabanagem, em 1835, tendo ali funcionado posteriormente, o Trem de Guerra e o Quartel de Milícia, além do Arsenal de Guerra, a Recebedoria Provincial, os Correios, o Corpo de Artilharia e o Batalhão de Caçadores. A mais importante das batalhas ocorridas na época, a chamada "Batalha do Trem de Guerra" (1835), foi quando os revoltosos tentaram tomar de assalto o Trem de Guerra, armazém militar então instalado nas dependências do antigo Convento. Os atiradores legalistas, postados no alto dos casarões circundantes, repeliram os cabanos, tombando 800 destes. Entre eles contava-se o líder, Antônio Vinagre, que, aos vinte anos de idade, caiu com um tiro na testa, na esquina da Rua João Alfredo com Frutuoso Guimarães.

Balcão no interior da Igreja
No século XIX o conjunto esteve abandonado e o templo fechado ao culto por muitos anos, tendo servido como Alfândega e depósito de sal. Nesse período, muitas das suas obras perderam-se. O Brasil virou República, então o governo local entendeu que deveria entregar a Igreja aos arcebispos. Deve-se a Dom Santino, quando assumiu a Arquidiocese, as obras de restauração que permitiu a reabertura da Igreja em 1913. No final do século XX um incêndio destruiu grande parte das dependências do Convento, mas a Igreja foi pouco afetada. Em 1986 o conjunto foi integralmente restaurado pelo IPHAN. O tombamento inclui todo o seu acervo.

Capela-Mor da Igreja de
           Nossa Senhora das Mercês






É uma das poucas igrejas do Brasil e a única na cidade com fachada convexa e frontão de linhas onduladas. O corpo central convexo tem duas pilastras de cada lado, há três portais, três janelas, e um óculo no frontão, aos lados da parte central, existem duas torres, nelas existem frontões triangulares, com a parte superior vazada por óculos, sendo também vazada por janelas. A porta principal tem uma moldura em pedra de lioz. As outras duas molduras das portas laterais são do mesmo material. A Igreja tem planta em nave única, antecedida de uma com cobertura de abóbadas de aresta. A planta baixa desta Igreja segue um tipo comum em Portugal: nave única e ao seu lado, capelas apenas da mesma espessura da parede e por duas capelas profundas no transepto. A Capela-Mor é mais estreita e profunda do que a nave principal. O retábulo da Capela de Adoração é bem mais elaborado que o retábulo da Capela-Mor.

Altar do Sagrado Coração de Jesus

Altares laterais da Igreja de Nossa Senhora das Mercês