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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Belém do Pará - Museu de Arte de Belém (Palácio Antônio Lemos)


Museu de Arte de Belém (Palácio Antônio Lemos)
O Palácio Antônio Lemos foi construído no final do século XIX, com a finalidade de ser o Palácio Municipal. Atualmente o prédio sedia o Gabinete do Prefeito Municipal de Belém, a Coordenadoria de Comunicação Social e o Museu de Arte de Belém (MABE). Possui um acervo eclético de móveis e adornos, na sua maioria do século XIX e princípios do século XX. São mais de 200 peças inclusive um conjunto Luiz XVI. Construído para sede da Intendência Municipal, o povo preferiu chamá-lo de Palacete Azul, devido à cor de suas fachadas. Só na década de 1950 ganharia o nome de “Antônio Lemos”, Intendente de Belém de 1897 a 1911 e principal responsável pelo processo de reurbanização e modernização da cidade.

Entrada principal do Palácio Antônio Lemos
Ao longo de seus mais de 100 anos de existência abrigou o Tribunal de Relação, a Junta Comercial, o Conselho Municipal e a Câmara de Deputados. Possui linhas do neoclássico tardio, estilo introduzido no Brasil com a Missão Artística Francesa e que no país ganhou a denominação de “Imperial Brasileiro”, foi projetado por José Coelho da Gama e Abreu, o Barão de Marajó, com colunas toscanas, triângulos e simetria na fachada. No interior, estão as escadarias neogregas em mármore de lioz, dois pátios e os grandes salões. Está localizado na Avenida Portugal, no Bairro da Cidade Velha, Centro Histórico da capital paraense, entre as Praças Felipe Patroni e Dom Pedro II, junto às sedes do Poder Judiciário e do Legislativo Estadual. O Palácio é tombado pelas esferas federal, estadual e municipal, constituindo-se em um dos raros patrimônios edificados que mantém sua função pública original. Ao longo de sua história, o Palácio abrigou os três poderes e passou por diversas reformas e adaptações, algumas, inclusive, sem nenhum critério. Alcançou os anos 1990 bastante descaracterizado e em precárias condições, levando a Prefeitura de Belém a restaurá-lo, com o apoio da Fundação Banco do Brasil.

Escadarias do Museu de Arte de Belém
O Museu de Arte de Belém (MABE) foi instituído a partir de 1991 como um Departamento da Fundação Cultural do Município de Belém (FUMBEL), que por sua vez pertence à Prefeitura Municipal de Belém. Em 1994, com a reinauguração do Palácio Antônio Lemos, passou a acolher as coleções oriundas respectivamente, da Pinacoteca Municipal e Museu da Cidade de Belém (MUBEL), do qual é originário.

Escadarias do Museu de Arte de Belém
O Museu de Arte de Belém reúne um conjunto significativo de obras de artistas locais, nacionais e estrangeiros, que referem o período áureo da borracha na cidade e um acervo contemporâneo em expansão, com mais de 1500 obras. Esse acervo é composto por um conjunto de obras denominado Iconografia Paraense, que retrata através de pinturas, e fotografias, cenas de Belém e seus habitantes e ainda, do ambiente amazônico. O acervo possui também peças do mobiliário brasileiro dos séculos XIX e início do XX, cerâmica, objetos de interior e esculturas. As salas para exposições homenageiam artistas, que possuem obras no acervo ou são de reconhecido valor no cenário das artes; um auditório para solenidade e uma biblioteca especializada em artes visuais (aproximadamente mil volumes). O MABE mantém outros dois espaços expositivos na cidade, a Galeria Municipal de Arte e o Museu de Arte Popular, este último situado no Distrito de Icoaraci.

Escadarias do Museu de Arte
           de Belém
O Museu de Arte de Belém tem por objetivo preservar, restaurar, ampliar, pesquisar e divulgar seu patrimônio e fomentar diversas formas de manifestações artísticas, bem como prestar serviços à comunidade estudantil, principalmente no campo da arte-educação. Além das exposições permanentes, a instituição organiza e sedia mostras temporárias e itinerantes, mantêm visitas guiadas para grupos de estudantes de escolas públicas e privadas, oficinas de sensibilização artística, eventos complementares às exposições temáticas e palestras para grupos organizados da sociedade civil. O tour pelo Museu dura cerca de uma hora e o preço dos ingressos é irrisório. O Museu fica fechado às segundas-feiras para limpeza.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Belém do Pará - Museu do Estado do Pará (Palácio Lauro Sodré)

Museu do Estado do Pará - Palácio Lauro Sodré
O Palácio Lauro Sodré, inicialmente chamado Palácio dos Governadores, é uma edificação pública de 1772, situado na Praça Dom Pedro II, no Bairro da Cidade Velha, na cidade brasileira de Belém, no Estado do Pará. Foi projetado pelo arquiteto bolonhês Antônio José Landi (técnico do Reino) a pedido do Governador do Grão-Pará, no estilo neoclássico italiano e, inaugurado pelo administrador colonial português, para ser sede do governo português como Palácio dos Governadores, do Estado do Grão-Pará e Maranhão que se transferira de São Luís para Belém, quando também se transferira a capital da Província do Brasil, de Salvador para o Rio de Janeiro.


Museu do Estado do Pará - Palácio Lauro Sodré

Lustre em cristal do Palácio Lauro Sodré
A história do Palácio tem início com um audacioso plano do Marquês de Pombal, um dos grandes ministros do Rei Dom José I. A ideia era transferir a corte portuguesa para Belém, mas para isso seriam necessárias obras de infraestrutura na cidade. Em 1754, durante a Era Pombalina, a residência dos governadores estava em ruínas e os administradores moravam e despachavam em casas alugadas, por isso era fundamental a construção de uma moradia adequada para o rei no então Centro Comercial de Belém. Uma comissão certifica o estado de ruína em que se encontrava o prédio e sugere sua demolição com o aproveitamento de algumas telhas e peças de madeira.

Lustre em cristal do
             Palácio Lauro Sodré
O Governador então solicita a Landi um projeto de uma “casa descente e sem superfluidades” declarando que a casa não poderia ser de grande despesa e o encaminha à Corte. Em 1761, ainda sem resposta, o governador se dirige ao rei, remetendo uma nova planta de Landi. A primeira proposta consistia em uma prancha assinada por Landi contendo a fachada e um corte transversal. No corte se identificam: um pórtico de entrada com um terraço superior, atrás da fachada, um átrio de acesso principal com cobertura abobadada; uma escadaria desenvolvida em espaço com abóboda. A fachada, horizontal e simétrica, mostra-se com dois pavimentos e telhado aparente de beiral, assentado sobre cornija. O segundo projeto mostra planta baixa, fachada principal e um corte longitudinal. A fachada mostra-se idêntica ao projeto anterior pelo destaque do corpo central. A planta mostra um pátio central interno, rodeado por arcadas ao estilo cortile italiano. A construção começou em 1768, após a compra de três lotes adjacentes para que o prédio tivesse a dimensão desejada, três anos depois, em novembro de 1771 estava concluída. 

Peça em porcelana do Museu
O Palácio foi modificado com o passar dos anos, mas a estrutura se manteve. Em meados do século XIX, as varandas foram fechadas e o beiral substituído por platibandas, além de outras mudanças internas significativas. Após a Proclamação da República houve um movimento no intento de retirar símbolos que marcavam a monarquia e assim o Palácio foi redecorado ao modo republicano e recebeu seu nome atual em homenagem ao Governador Lauro Sodré, o primeiro após a Proclamação da República. Dentre as muitas reformas, adaptações e/ou acréscimos por que passou, foi determinante a empreendida pelo Governador Augusto Montenegro, no início do século XX. No apogeu do Ciclo da Borracha quando a Amazônia viveu os costumes e valores da Belle Époque, Montenegro imprimiu ao prédio e a decoração de seu interior os cânones da época. Parte do mobiliário foi trazida da Europa e a outra parte foi confeccionada nas oficinas da antiga Escola de Artífices. Belíssimos lustres em cristal foram colocados nos Salões Nobres e foi contratado o pintor francês J. Casse para decorá-los. Estas peças e mais as telas de renomados pintores como Antônio Parreiras, Décio Vilares, Benedicto Calixto, passaram a constituir o núcleo mais significativo do acervo.

Pintura no teto do Museu
Em 1971-1973, uma restauração recuperou algumas de suas características modificadas em períodos anteriores, como a capela que fora dividida, na altura, por piso intermediário. Embora não tenha servido ao rei, que morreu em 1777, o Palácio serviu de morada aos governadores do Estado por mais de 220 anos, até ser transformado em sede do Museu do Estado do Pará, em 1994. Construído para uma majestade, o Palácio hoje fica aberto ao público como um dos mais significativos espaços de preservação de identidade histórica e cultural paraense. Um espaço que permite aos visitantes uma verdadeira viagem pela história do Pará. Esse é o Palácio Lauro Sodré testemunha de alguns dos mais importantes fatos da história política do Estado, como a adesão do Pará à Revolução Constitucionalista do Porto e à Independência do Brasil.

Interior do pátio do Palácio Lauro Sodré

Como é comum aos museus históricos, o Museu do Estado do Pará reúne em seus acervos exemplares de natureza, época e estilos diversos, estando os objetos agrupados nas mais diferentes categorias. Destaca-se o acervo arqueológico incorporado a partir de 2001 e o acervo de Artes Visuais até o projeto de vídeo-mapping na sua fachada, resultado de aquisições e doações. Possui uma diversidade de acervo composto por telas, mobiliário, acessório de interiores, fotografias, entre outros bens que incluem o próprio edifício. Foi reinaugurado em 2008 como Museu Histórico. O tempo estimado de visitação é em torno de uma hora. O valor do ingresso é simbólico e o Museu fecha às segundas-feiras para limpeza. O Palácio está localizado na Avenida Portugal, onde também estão outras edificações tombadas: a Doca do Ver-o-Peso, a Praça do Relógio, a Praça Dom Pedro II, o Palácio Antônio Lemos (Palacete Azul) e, a Casa do Barão de Guajará.

Quadro Histórico "Conquista do Amazonas" de A. Parreiras, 1907

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Belém do Pará - Praça Siqueira Campos

Relógio da Praça Siqueira Campos
A Praça Siqueira Campos, cartão postal da cidade de Belém do Pará, é mais conhecida como Praça do Relógio e situa-se na Doca do Ver-o-Peso na Avenida Portugal, no Bairro da Cidade Velha. É conhecida por abrigar enorme relógio inglês em seu centro. O Relógio é símbolo da passagem de épocas, marcadas por crises econômicas e transformações políticas. Foi erguido na virada das décadas de 1920 e 1930. O local escolhido para a construção da Praça era um terreno baldio conhecido como Praça dos Aliados, no local onde existiria o Palácio da Bolsa de Comércio, cuja construção chegou a ser iniciada, mas não foi concluída, devido à crise da borracha, principal produto econômico da região no século XIX até o início do século XX, e cujo declínio representou um forte abalo na até então rica e próspera economia da região. Anterior a tudo isso, no lugar existia a embocadura do Igarapé do Piri. 

Praça Siqueira Campos


No lugar do que seria o marco do vigor econômico, e que ficou abandonado por anos, foi construída a Praça com relógio ao centro, que passou então a ser espaço de ampla circulação social e palco de manifestações políticas, tornando-se um ícone da cidade. Na memória cultural histórica da “Cidade das Mangueiras”, o monumento que ornamenta a Praça, foi encomendado pelo Intendente de Belém para homenagear um dos 18 revolucionários paraenses heróis do Forte de Copacabana. O monumento que deveria decorar a Praça seria de um relógio a ser instalado no alto de uma elegante torre de ferro, de 12 metros de altura, com decoração que indicasse os pontos cardeais e quatro medalhões simbolizando as quatro estações do ano escritas em italiano, mostrador com iluminação noturna e sirene elétrica que deveria tocar às 8:00, 12:00 e 18:00 horas. Compondo o belo visual da Praça, acompanham quatro postes de ferro com belas luminárias, porém mais antigos. Foram fabricados pela Macfarlane em 1893. 

Praça Siqueira Campos
Na segunda metade do século XX e início do século XXI, a popularmente conhecida como “Praça do Relógio” passou por algumas reformas. Uma delas, nos anos 1990, foi inserida dentro do projeto da Prefeitura de Belém de "Revalorização Cromática dos Elementos em Ferro" dos monumentos do Centro Histórico. Outra reduziu o quadrilátero original da Praça. Quanto ao funcionamento do Relógio, por várias vezes foi interrompido, algumas por anos, por falta de manutenção. O Relógio parado parece estancar o tempo em uma cidade que clama por espaços de patrimônio preservados. Mesmo não se ouvindo mais o toque da sirene e nem vendo seus ponteiros luminosos à noite, o relógio inglês continua a orientar os belenenses que percorrem todos os dias aquelas ruas no ritmo acelerado do trabalho.

Prédios Históricos na Praça Siqueira Campos

A Praça do Relógio faz parte do Complexo Arquitetônico e Paisagístico do Ver-o-Peso tombado pelo IPHAN, em 1977, que compreende uma área de 35 mil metros quadrados, com uma série de construções históricas, incluindo o Logradouro Boulevard Castilhos França, o Mercado da Carne, o Mercado de Peixe, a Doca do Ver-o-Peso, a Feira do Açaí, a Ladeira do Castelo e, o Solar da Beira. Hoje o endereço é conhecido por todos como um quadrilátero que compreende a Travessa Marques de Pombal, Rua Padre Champagnat, Avenida 16 de Novembro e a Doca do Ver-o-Peso. 

domingo, 19 de julho de 2015

Belém do Pará - Catedral Metropolitana de Belém

           
Catedral Metropolitana de Belém
Quem chega a Belém de barco ou de avião percebe que uma igreja branca se sobressai entre os casarões antigos do Bairro da Cidade Velha. A Catedral Metropolitana de Belém ou simplesmente Catedral da Sé foi construída no século XVIII. A Catedral de invocação de Santa Maria da Graça da cidade de Belém do Grão Pará é um dos mais belos templos do Brasil como imponência de arquitetura, como arte religiosa e como riqueza sóbria do interior. A Catedral é parte importante da tradicional celebração do Círio de Nazaré, maior procissão do mundo ocidental. Após uma missa na Catedral, a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré parte em procissão até a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, acompanhada por centenas de milhares de pessoas.

Catedral Metropolitana de Belém vista do
Forte do Presépio
Sua origem remota foi uma pequenina ermida coberta de palha, que Francisco Castelo Branco fez erguer no Forte do Presépio, em 1616, e já era dedicada à Nossa Senhora da Graça. Depois, construíram outra capela, em substituição à primeira. Poucos anos depois foi transferida para o atual Largo da Sé, numa construção precária. No século seguinte, em 1719, a Diocese do Maranhão é desmembrada a pedido de Dom João V, e Belém passa a sediar a recém-criada Diocese do Pará, ganhando direito a honras de Sé Episcopal a sua igreja matriz.

Porta principal da Catedral Metropolitana de Belém

Nave da Catedral Metropolitana de Belém
No ano de 1723 o Rei de Portugal Dom João V, atendendo às reivindicações da Igreja do Pará, autorizou a construção da nova Catedral, ou Sé, em Belém. E talvez, para surpresa geral, determinou que a nova igreja tivesse toda a magnificência possível. Em maio de 1748 houve a solenidade do lançamento da pedra fundamental da nova Sé, no mesmo local da antiga. Data dessa época a planta geral da igreja e os níveis inferiores da fachada, incluindo o portal principal, de feição barroca pombalina. A planta da Catedral de Belém é de autoria desconhecida. Após algumas interrupções, a direção das obras foi assumida em 1755 por Antônio José Landi, arquiteto italiano chegado a Belém em 1753, que deixou vasta obra na região. Landi terminou a fachada, acrescentando as duas torres e o frontão. 

Órgão da Catedral Metropolitana de Belém

Altar-Mor da Catedral Metropolitana de Belém
As torres, semelhantes às da Igreja das Mercês de Belém, também projetadas por Landi, não têm paralelos no mundo luso-brasileiro e são inspiradas em modelos bolonheses, região de origem do arquiteto. Em setembro de 1771 é que a construção da Catedral foi dada como concluída. Já os relógios da Catedral foram importados da Europa e instalados no templo em 1772. As obras duraram 23 anos. O imponente frontão, ladeado por pináculos piramidais neoclássicos, tem um perfil mais barroco-rococó e contém um nicho com uma estátua de Nossa Senhora. A construção foi totalmente concluída em 1782.

Pintura no teto da Catedral
Em 1882, a decoração interior da igreja sofreu uma reforma radical, quando a Catedral passou por uma grande alteração. O retábulo original, de autoria de Landi, era de caráter rococó e incorporava uma pintura de Nossa Senhora das Graças de autoria do pintor setecentista português Pedro Alexandrino de Carvalho. Tanto o retábulo como a pintura estão atualmente perdidos e são apenas conhecidos por desenhos. O atual altar principal foi criado em Roma por Luca Carimini no século XIX, enquanto as pinturas que decoram o interior foram realizadas pelos italianos Domenico de Angelis e Giuseppe Capranesi. O Altar-Mor e toda a parte de mármore foi uma doação do Papa Pio IX para a Catedral. O grande órgão, da oficina do francês Aristide Cavaillé-Coll, foi instalado em 1882, sendo o maior órgão da América Latina. Igual ao órgão da Catedral há apenas cinco no mundo.


Imagem de Nossa Senhora da Graça
           na Catedral Metropolitana de Belém
Após vários anos sem que fosse submetida a medidas sérias de conservação, o que deteriorou bastante alguns de seus aspectos estruturais e artísticos, a Catedral Metropolitana de Belém foi, enfim, submetida a restauração, em 2005, sendo reaberta ao público em setembro de 2009. Além da restauração de telas e pinturas e da aquisição de novos sinos, a Catedral passou a oferecer rampas, plataformas e banheiros para pessoas com deficiência. Também foram instalados equipamentos de iluminação de baixo custo e o telhado, que apresentava goteiras e infiltrações, foi consertado. Foi também criado o Memorial da Catedral, que tem painéis e objetos de acervo que contam um pouco da história da igreja e o processo de restauro. A riqueza arquitetônica e cultural da Catedral é reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Muitos turistas são atraídos pela história da Igreja da Sé.


Portal Principal da Catedral