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Museu do Estado do Pará - Palácio Lauro Sodré |
O Palácio Lauro Sodré,
inicialmente chamado Palácio dos
Governadores, é uma edificação pública de 1772, situado na Praça Dom Pedro II, no Bairro da Cidade Velha, na cidade
brasileira de Belém, no Estado do Pará. Foi projetado pelo arquiteto bolonhês Antônio José Landi (técnico
do Reino) a pedido do Governador do
Grão-Pará, no estilo neoclássico italiano e, inaugurado pelo
administrador colonial português, para ser sede do governo português como Palácio dos Governadores, do Estado do Grão-Pará e Maranhão que se
transferira de São Luís para Belém, quando também se transferira a
capital da Província do Brasil, de Salvador para o Rio de
Janeiro.
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Museu do Estado do Pará - Palácio Lauro Sodré |
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Lustre em cristal do Palácio Lauro Sodré |
A história do Palácio tem início com um audacioso plano do Marquês de Pombal, um dos grandes
ministros do Rei Dom José I. A ideia era transferir a corte portuguesa para Belém, mas para isso seriam necessárias
obras de infraestrutura na cidade. Em 1754, durante a Era
Pombalina, a residência dos governadores estava em ruínas e os
administradores moravam e despachavam em casas alugadas, por isso era
fundamental a construção de uma moradia adequada para o rei no então Centro Comercial de Belém. Uma comissão certifica o estado de ruína em que se
encontrava o prédio e sugere sua demolição com o aproveitamento de algumas
telhas e peças de madeira.
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Lustre em cristal do Palácio Lauro Sodré |
O Governador então solicita a Landi um projeto de uma “casa descente e sem superfluidades” declarando
que a casa não poderia ser de grande despesa e o encaminha à Corte. Em 1761,
ainda sem resposta, o governador se dirige ao rei, remetendo uma nova planta de
Landi. A primeira proposta consistia em uma prancha assinada por Landi contendo
a fachada e um corte transversal. No corte se identificam: um pórtico de
entrada com um terraço superior, atrás da fachada, um átrio de acesso principal
com cobertura abobadada; uma escadaria desenvolvida em espaço com abóboda. A
fachada, horizontal e simétrica, mostra-se com dois pavimentos e telhado
aparente de beiral, assentado sobre cornija. O segundo projeto mostra planta
baixa, fachada principal e um corte longitudinal. A fachada mostra-se idêntica
ao projeto anterior pelo destaque do corpo central. A planta mostra um pátio
central interno, rodeado por arcadas ao estilo cortile italiano. A
construção começou em 1768, após a compra de três lotes adjacentes para que o prédio
tivesse a dimensão desejada, três anos depois, em novembro de 1771 estava
concluída.
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Peça em porcelana do Museu |
O Palácio
foi modificado com o passar dos anos, mas a estrutura se manteve. Em meados do século
XIX, as varandas foram fechadas e o beiral substituído por platibandas, além de
outras mudanças internas significativas. Após a Proclamação da República houve um movimento
no intento de retirar símbolos que marcavam a monarquia e assim o Palácio foi redecorado
ao modo republicano e recebeu seu nome atual em homenagem ao Governador Lauro Sodré,
o primeiro após a Proclamação da República.
Dentre as muitas reformas, adaptações e/ou acréscimos por que passou, foi determinante
a empreendida pelo Governador Augusto Montenegro, no início do século XX. No
apogeu do Ciclo da Borracha quando a
Amazônia viveu os costumes e valores
da Belle Époque, Montenegro imprimiu
ao prédio e a decoração de seu interior os cânones da época. Parte do
mobiliário foi trazida da Europa e a
outra parte foi confeccionada nas oficinas da antiga Escola de Artífices. Belíssimos lustres em cristal foram colocados
nos Salões Nobres e foi contratado o
pintor francês J. Casse para decorá-los. Estas peças e mais as telas de
renomados pintores como Antônio Parreiras, Décio Vilares, Benedicto Calixto, passaram
a constituir o núcleo mais significativo do acervo.
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Pintura no teto do Museu |
Em 1971-1973, uma restauração recuperou algumas de suas características
modificadas em períodos anteriores, como a capela que fora dividida, na altura,
por piso intermediário. Embora
não tenha servido ao rei, que morreu em 1777, o Palácio serviu de morada aos
governadores do Estado por mais de 220 anos, até ser transformado em sede do Museu do Estado do Pará, em 1994. Construído
para uma majestade, o Palácio hoje fica aberto ao público como um dos mais
significativos espaços de preservação de identidade histórica e cultural
paraense. Um
espaço que permite aos visitantes uma verdadeira viagem pela história do Pará. Esse é o Palácio Lauro Sodré testemunha de alguns dos mais importantes fatos
da história política do Estado, como a adesão do Pará à Revolução
Constitucionalista do Porto e à Independência
do Brasil.
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Interior do pátio do Palácio Lauro Sodré |
Como é comum aos museus
históricos, o Museu do Estado do Pará
reúne em seus acervos exemplares de natureza, época e estilos diversos, estando
os objetos agrupados nas mais diferentes categorias. Destaca-se o acervo
arqueológico incorporado a partir de 2001 e o acervo de Artes Visuais até o projeto de vídeo-mapping na sua fachada, resultado
de aquisições e doações. Possui uma diversidade de acervo composto por telas,
mobiliário, acessório de interiores, fotografias, entre outros bens que incluem
o próprio edifício. Foi reinaugurado em 2008 como
Museu Histórico. O tempo estimado de visitação é em torno de uma hora. O valor
do ingresso é simbólico e o Museu fecha às segundas-feiras para limpeza. O
Palácio está localizado na Avenida
Portugal, onde também estão outras edificações tombadas: a Doca do Ver-o-Peso, a Praça do Relógio, a Praça Dom Pedro II, o Palácio Antônio Lemos (Palacete Azul) e, a Casa do Barão de Guajará.
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Quadro Histórico "Conquista do Amazonas" de A. Parreiras, 1907 |
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