sábado, 25 de julho de 2015

Belém do Pará - Mercado Ver-o-Peso


Mercado Ver-o-Peso
Quando resolvi que faríamos uma viagem à Belém-do-Pará, só tinha uma certeza em mente: queria conhecer o famoso e tão prestigiado Mercado Ver-o-Peso. O Mercado Ver-o-Peso ou Mercado Municipal Bolonha de Peixe ou Mercado de Ferro ou somente Ver-o-Peso (inicialmente chamado Casa de Haver o Peso) é um mercado público inaugurado em 1625, pertencente ao Complexo Ver-o-Peso, situado na cidade brasileira de Belém, no Estado do Pará, localizado na Avenida Boulevard Castilho de França, Cidade Velha, no Bairro da Campina, às margens da Baía do Guajará, entre a Estação das Docas e o Forte do Presépio. Foi eleito uma das Sete Maravilhas do Brasil por ser um dos mercados mais antigos do país. Ponto turístico, cultural e econômico da cidade de Belém, formado pelo Mercado de Ferro, Praça do Pescador, Doca das Embarcações, Pedra do Peixe e, Feira Livre – considerado a maior feira ao ar livre da América Latina – abastece a cidade com variados tipos de gêneros alimentícios e ervas medicinais, vindos das ilhas circunvizinhas à capital e dos municípios do interior, fornecidos por via fluvial.

Mercado Ver-o-Peso
Com posição estratégica na desembocadura do Amazonas, Belém era o maior entreposto comercial da região de produtos extraídos da Região Amazônica (drogas do sertão) com destino aos mercados locais e internacionais, de carne com preço baixo dos rebanhos na Ilha do Marajó, e ponto de chegada dos produtos europeus. Então em 1625, na área do Igarapé do Piri (no atual Mercado Ver-o-Peso), os portugueses instalaram o posto fiscal comercial Casa de Haver o Peso, para controle do peso e, arrecadação de tributos dos gêneros trazidos para a sede da Capitania do Grão-Pará (Estado do Maranhão), concedido por provisão real à Câmara de Belém. No início do século XIX, o Igarapé do Piri foi aterrado para atender aos avanços urbanísticos de Belém e, na sua foz, foi construída a Doca do Ver-o-Peso.

Mirante no Mercado Ver-o-Peso






No Ciclo da Borracha, entre o final do século XIX e começo do século XX, a cidade de Belém teve grande importância comercial, principalmente para o cenário internacional. Neste período, também se pode registrar mudanças urbanísticas: a margem da Baía do Guajará foi aterrada, transformando os trapiches de madeira e a praia na Doca do Ver-o-Peso e na Pedra do Peixe feito com pedra de lioz pelos ingleses. Importantes edificações foram erguidas seguindo o padrão arquitetônico europeu de estilo eclético, influenciado pela art nouveau, entre as quais, o Mercado Municipal de Carnes (1867), o Palácio Antônio Lemos (1873) e o Theatro da Paz (1874). Em 1897, o projeto para a construção do Mercado Municipal de Peixe ou Mercado de Ferro, foi aprovado. Em 1899, teve início sua edificação, sendo inaugurado em 1901, na forma de um dodecágono com medida de 1.197 metros quadrados, com estrutura metálica em zinco veille-montaine, trazido pré-fabricado da Inglaterra e de Nova Iorque, transportado via fluvial para Belém. Neste período também ocorreu a ampliação do Mercado de Carne.

Estruturas de ferro do Mercado Ver-o-Peso
O Complexo passou por duas grandes reformas. A primeira em 1985, com melhorias no: Mercado de Ferro, Solar da Beira (sendo transformado em restaurante e espaço cultural), na Praça do Pescador e, na Feira Livre do Mercado. Ocorreu também a construção da Praça dos Velames e montagem de barracas padronizadas. Em 1998 e 2002, ocorreu a segunda reforma em etapas, com intervenção geral na Feira, contemplando aspectos paisagísticos do local e qualificatórios dos feirantes. O Mercado ganhou as ruas numa área delimitada coberta por uma lona branca. Mas o prédio principal “de ferro azul” continua sendo o cartão postal do Mercado Ver-o-Peso.

Estruturas de ferro do Mercado Ver-o-Peso
O Mercado faz parte de um Complexo Arquitetônico e Paisagístico (Complexo Ver-o-Peso) tombado pelo IPHAN, em 1977, que compreende uma área de 35 mil metros quadrados, com uma série de construções históricas, incluindo o Mercado de Ferro, o Mercado da Carne, o Mercado de Peixe (é um dos pontos mais movimentados do local), a Praça do Relógio, a Doca, a Feira do Açaí, a Ladeira do Castelo, o Solar da Beira e a Praça do Pescador.

Bancas do Mercado Ver-o-Peso
Uma das feiras populares mais vibrantes do Brasil é sem dúvida o Mercado Ver-o-Peso, em Belém. Uma feira que nunca dorme. O movimento no Mercado começa às 3:30 horas. Nesse horário, pescadores começam a descarregar suas mercadorias – pirarucus, dourados, pescadas, traíras, tucunarés. Entre 06 e 14 horas, os comerciantes oferecem o que há de mais fresco em matéria de pescados. Do lado de fora, a Feira Livre, o dia todo, tem centenas de barracas que vendem frutas regionais, raízes, temperos, ervas, óleos medicinais, artesanato e muita comida típica, como tacacá e maniçoba.

Barraca de frutas típicas da 
Amazônia
O Mercado é dividido em setores, que facilitam a visita. No total, são 16 setores e um mundo à parte e pitoresco. Andar pelo Mercado é conhecer um pouco da cultura paraense, porém, como em qualquer área central de grandes capitais, é preciso prestar atenção aos itens pessoais, a fim de evitar pequenos furtos. Uma das áreas mais famosas é a de ervas amazônicas, onde são vendidos “garrafadas” medicinais, banhos cheirosos, perfumes e até vudus. O ambiente é perfeito para experimentar as exóticas frutas típicas e as delícias regionais. Prefira ir pela manhã, quando os produtos estão bastante frescos, e quando a Estação das Docas já estiver aberta, ampliando a área de estacionamento, caso você vá de carro. Na hora do almoço, as barracas são concorridas. O bacana é conversar com os vendedores e entender essa cultura. Alguns já até viraram celebridades e expõem cheios de orgulho suas fotos com atores e apresentadores de TV, como a Beth Cheirosinha. Os milhares de vidrinhos coloridos e com promessas milagrosas já são uma marca registrada do Ver-o-Peso. É impossível não se render aos rótulos com nomes divertidos e às misturas das famosas “garrafadas”. Se você der sorte, sua visita à Feira pode ser acompanhada do som de simpáticos senhores com sua bandinha.

Barraca de perfumes e garrafadas
Continuando a circular, você verá o quanto que produtos que você talvez nunca tenha ouvido falar são importantes na mesa do paraense. Um desses casos é o tucupi, um caldo delicioso extraído da mandioca selvagem que é a estrela da culinária local, usado nos mais diversos pratos. Para quem gosta de tapioca e outras farinhas, prepare-se para ficar em dúvida sobre qual comprar, tamanha a variedade. O mesmo acontece com os camarões secos, que são de encher os olhos. Há ainda o setor de polpas (das mais variadas frutas, prontinhas para rechear bombons, virarem suco ou geleia), frutas (entre elas o famoso açaí), artesanatoitens industrializados (leia-se “chineses”), entre outros. E, claro, tem muita castanha-do-Pará. Dá até para ver o difícil trabalho dos vendedores de retirar a casca de cada uma. Certamente visitar o Mercado é como visitar o berçário da cozinha brasileira, um museu vivo que mexe e aguça os nossos cinco sentidos. Belém é a cidade mais incrível que você ainda não pensou em visitar.             


Barraca das Pimentas


Mercado Ver-o-Peso e a Baía do Guajará

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Belém do Pará - Igreja e Colégio de Santo Alexandre

Igreja de Santo Alexandre e 
Museu de Arte Sacra do Pará
Ao visitar Belém nos deparamos com uma arquitetura diferente da que estamos acostumados a ver nas cidades históricas. A Igreja e Colégio de Santo Alexandre foram a sede da Companhia de Jesus na cidade de Belém do Pará na época do Brasil Colônia. O antigo complexo jesuíta, um dos mais importantes ainda existentes no país, abriga atualmente o Museu de Arte Sacra do Pará. No início de janeiro de 1653, os jesuítas partiram de São Luís para Belém do Pará onde fixaram residência no Bairro da Campina. Porém pelo fato de a condição de moradia naquele local ser precária eles optaram em viver na vizinhança do Forte do Presépio. O trabalho deles deu origem ao Colégio de Santo Alexandre e à Igreja de São Francisco Xavier. Os jesuítas começaram a edificar o Colégio de Santo Alexandre a partir de fins do século XVII. A capela era de taipa e tinha um único altar, mas foi revigorada em 1668 e dedicada a São Francisco Xavier. A dedicação a Santo Alexandre de Bérgamo deveu-se a que o Colégio abrigava relíquias do mártir, doadas pelo Papa Urbano VIII. Escritos antigos indicam que, em fins do século XVII, o Colégio contava com uma biblioteca de 2000 livros e oficinas de encadernação, pintura e escultura. 

Fachada da Igreja de Santo Alexandre
A antiga Igreja do Colégio Jesuíta de Belém, inaugurada em 1719, é um dos mais importantes templos erguidos pelos padres da Companhia no Brasil. Com uma arquitetura riquíssima a Igreja de Santo Alexandre, é considerada o principal templo jesuíta no Norte do Brasil. O projeto é claramente aparentado ao da monumental Igreja Jesuíta de Salvador (atual Catedral), que havia sido construída entre 1652 e 1672. A construção do edifício de Belém foi realizada com menos apuro técnico, talvez devido ao caráter indígena da mão-de-obra empregada pelos jesuítas. O estilo arquitetônico geral da Igreja corresponde ao maneirismo, favorecido pelos jesuítas em Portugal e suas colônias. As características do barroco, como folhas de acanto, cachos de uva, aves e querubins do paraíso, foram substituídas por pássaros e frutos amazônicos. Ao lado da Igreja foi levantado, ao longo do século XVIII, o edifício do Colégio.

Museu de Arte Sacra do Pará
A fachada monumental tem quatro andares de altura, sendo encimada por um frontão formado por duas volutas, que são espirais que se unem no topo, onde há uma cruz. O contorno do frontão é em formas curvas, as volutas inferiores se sobrepõem às torres, as quais ficam em segundo plano. O acesso ao templo é feito por três portais no primeiro piso, também decorados com volutas. As pilastras verticais da fachada encontram-se decoradas com motivos maneiristas em alto-relevo, que criam interessantes efeitos de luz e sombra. O corpo central da fachada é ladeado por duas torres baixas que se encontram levemente recuadas, estando inclusive um pouco escondidas detrás das enormes volutas do frontão. Os nichos do frontão eram antes ocupados por estátuas de santos jesuítas, hoje não mais utilizados por questão de restauração, e as imagens foram perdidas com o tempo. Somente algumas foram recuperadas e colocadas no Museu ao lado da Igreja.

Colégio de Santo Alexandre visto do
       Forte do Presépio
Na entrada da Igreja tem a presença de quadros da Via Sacra, que representam toda a vida de Jesus, do seu nascimento até sua morte. Esses quadros são feitos de ferro fundido e policromado, com várias cores. No interior, a Igreja revela também a influência da igreja de Salvador: a planta da Igreja possui uma nave central e tem a forma de uma cruz latina com quatro capelas de cada lado, formando ao todo oito capelas comunicantes com a sacristia. Uma grande sacristia encontra-se ao lado da Capela-Mor. Essas capelas são feitas por arcos redondos que se apoiam em pilastras. São cobertas com abóbada de madeira, sem cúpula e com transepto não pronunciado. Na nave da Igreja há a presença de púlpitos que foram construídos em madeira em forma de pirâmides e de decoração exacerbada característica do barroco. Estes púlpitos foram feitos com a junção de conchas, volutas com anjos, atlantes e figuras de olhos vendados.

Colégio de Santo Alexandre e Catedral
            Metropolitana de Belém vistos do
       Forte do Presépio
Destacam-se no interior as obras de arte em talha do padre João Xavier Traer e sua oficina de escultores indígenas, especialmente os dois magníficos púlpitos, profusamente decorados com anjinhos em uma composição inspirada na arte barroca do Tirol, pátria de origem de Traer. Também se destacam os retábulos de talha nas capelas laterais e na Capela-Mor, e apoiando-se nas pilastras das grandiosas capelas, estão as tribunas, as quais eram utilizadas pelas pessoas com maior poder aquisitivo na época para assistir as celebrações. A Igreja do Colégio de Santo Alexandre influenciou outras na região como a do Colégio de Vigia, ao norte da capital, construída na década de 1730. A fachada da Igreja de Vigia também é dotada de um original frontão e é ladeada por duas torres. O lampadário do local é um dos dois únicos existentes no Estado, datando do século XVIII e produzido em prata portuguesa com o brasão das carmelitas. Depois de muitas reformas, o forro original desapareceu e, em 1963, foi encontrado. Com o passar dos anos e com o abandono ela teve que passar por alguns processos de restauração, esse realizado pela equipe da Secretaria de Cultura do Estado do Pará. Muitas imagens e objetos da Igreja foram levados pelas pessoas. Algumas com a intenção de furtar e outras somente com o intuito de protegê-las da degradação.

Fundos do Museu de Arte Sacra do Pará
       vistos pela rua de trás
Com a expulsão dos jesuítas em 1759, o Colégio foi reformado e passou a ser usado como palácio dos bispos da cidade. Quando os jesuítas foram embora de vez, em torno de 1970, o Colégio passou a comportar o estoque de imagens e esculturas. E a Igreja passou a exercer sua atividade normal até a década de 1950, a partir desse tempo a Igreja entrou em decadência e precariedade, chegou a ser totalmente abandonada, não havendo reparos ou qualquer serviço de preservação. No final do século XX, após esse longo período de abandono, os edifícios do Colégio e Igreja foram transformados no Museu de Arte Sacra do Pará, que além da arquitetura do local exibe um rico acervo de pintura e escultura dos séculos XVII e XVIII da Região Amazônica.

Nave da Igreja de Santo Alexandre
No âmbito de um projeto de revitalização do Centro Histórico de Belém, os edifícios do Colégio e Igreja dos Jesuítas - tombados pelo IPHAN - foram transformados em um museu dedicado à arte sacra da região. Os acréscimos feitos aos edifícios em épocas posteriores ao século XVIII foram, na medida do possível, retirados. Na parede principal do Museu não foram utilizados ferro e cimento, esta foi construída toda em pedra, e provavelmente foi utilizado o óleo de algum peixe regional. Acredita-se que foi empregado o óleo de Gurijuba, o qual é um peixe abundante na região e contém muita gordura. Há a possibilidade que esta gordura tenha sido usada como aglutinante do barro, da concha do mar e da areia de pedra. Na restauração da Igreja foi decidido não usar cópias e onde não conseguiram trazer de volta o original, foi deixado bem claro isso. Estruturalmente não foi mexido em nada, foi inserido algum reboco em algumas paredes, mas não foi levantada nenhuma coluna.

Sacristia da Igreja de Santo Alexandre
Os púlpitos da Igreja não são mais usados por questão de preservação e segurança. O Altar-Mor foi corroído por cupins. A umidade e o calor da região favorecem a ação deste inseto. O telhado original foi todo perdido e assim houve a necessidade de ser retirado e colocado outro tipo de cobertura. Um dos grandes problemas de conservação da Igreja é a salinização que as paredes estão sofrendo, isso ocorre pelo fato de ter sido usado muita areia do mar em sua construção. O Museu conta com um acervo de quase 400 peças sacras de pintura, talha, gesso, prataria e outros objetos litúrgicos, provenientes tanto do acervo jesuítico como da Cúria Metropolitana da cidade. O edifício do Colégio tem áreas dedicadas ao restauro e biblioteca, além de loja e galeria de arte.

Púlpitos da Igreja de Santo Alexandre
Em 1980, quando o Papa João Paulo II visitava Belém, ficou hospedado no Convento da Igreja de Santo Alexandre, que na época era sede do Arcebispado de Belém. Nessa época da visita do Papa, o edifício na Igreja não estava funcionando e somente no ano de 1998 depois de várias reformas o templo da Igreja foi reaberto. A Igreja ainda é palco de missas, também são apresentados concertos de música, teatro e outros eventos. Aos sábados, a Igreja fica fechada. A visita guiada, grátis, vale para quem quer conhecer mais sobre a história do local. O Museu fica fechado às segundas-feiras para limpeza e o valor do ingresso para visitação é simbólico, menos às terças-feiras quando a entrada é gratuita.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Belém do Pará - Forte do Presépio

Forte do Presépio de Belém
Se alguém chegar a Belém, capital do Pará, na Região Norte do Brasil, e procurar pelo Forte do Presépio, pelo Forte do Castelo ou ainda pelo Forte do Senhor Santo Cristo, vai constatar que, na verdade, está em busca do mesmo lugar. A quantidade de nomes que o Forte do Presépio teve pode ser justificada pelos acontecimentos que caracterizaram sua fundação. Após vencer os franceses no Maranhão em novembro de 1615, os portugueses chegam à Amazônia já de olho na movimentação de ingleses e holandeses, que haviam iniciado aproximação com os indígenas para aproveitar o potencial da imensa Região Amazônica. A Coroa Portuguesa, então, confiou ao Capitão-Mor do Rio Grande do Norte, a missão de explorar a área assediada pelos estrangeiros. Por causa disso, ele recebeu o título de Descobridor e Primeiro Conquistador do Rio das Amazonas.

Forte do Presépio de Belém
Ao chegar a Belém vindo de São Luís do Maranhão, com três navios e 200 homens sob seu comando, o Capitão-Mor identificou a necessidade de construir algum tipo de edificação que pudesse proteger sua tropa e a cidade em que acabava de ocupar. Tão logo chegou, começou a erigir uma fortificação de taipa e palha, guarnecendo-a com 12 peças de artilharia. Nela colocou o nome de Forte do Presépio de Belém, um tributo ao dia de Natal, data em que saíra do Maranhão. No interior do Forte foram construídos alojamentos para a guarnição, pois havia o temor de eventuais contratempos com os índios Tupinambás, bem como a possibilidade de uma invasão dos ingleses e holandeses. O Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo do Presépio de Belém, popularmente referido como Forte do Presépio, localiza-se sobre a Baía do Guajará, na Ponta de Maúri à margem direita da Foz do Rio Guamá, dominando a entrada do porto e o canal de navegação que costeia a Ilha das Onças

Canhão apontando para a Baía do Guajará
Houve um ataque em 1619, porém não veio dos estrangeiros, e sim dos povos nativos. Os Tupinambás, aliados dos portugueses na sua chegada e também responsáveis pela construção do forte, avançaram contra o povoado tentando expulsar os conquistadores lusos, acusando-os de ter violentado suas mulheres e filhas. A luta varou a madrugada. De um lado, os índios e suas flechas venenosas e incendiárias; do outro, armas de fogo. O combate só terminou quando o cacique Guaiamiaba (em língua Tupi, "cabelo de velha") morreu após ser atingido por um tiro de arcabuz. Depois desse episódio, o Forte ganhou outro revestimento, de taipa de pilão. A nova fortificação foi erguida com um baluarte artilhado com quatro peças, um torreão e alojamento para 60 praças, sendo batizada como Forte Castelo do Senhor Santo Cristo, ou simplesmente Forte do Santo Cristo. Arruinada pelos combates e pelo clima, sofreu reparos em 1632 e 1712. 

Canhões no Forte do Presépio
Nenhuma outra tentativa de invasão voltaria a acontecer. Em 1753, o Forte do Castelo funcionou pela primeira vez como hospital para atender mais de 300 pessoas acometidas de um surto epidêmico. Seis anos depois, transformou-se em hospital militar, sendo conhecido como Hospital do Castelo. No século XIX, quando os paraenses resolveram se insurgir contra a elite portuguesa na revolta que ficou conhecida como Cabanagem, o Forte, já em condições precárias de conservação, foi quartel dos insurgentes durante cinco anos (1835-1840). 

Canhões no Forte do Presépio
À época da Independência do Brasil, o Forte foi reedificado, para ser desativado no Período Regencial, que extinguiu os Comandos dos Fortes, Fortins e Pontos Fortificados, desarmando-os. No ano seguinte, passou a ser denominado de Castelo de São Jorge, ou simplesmente Forte do Castelo, como até hoje é denominado. O Forte foi reparado e rearmado a partir de 1850, quando o seu recinto interior foi objeto de limpeza e ganhou novos quartéis para tropa, Casa do Comandante, ponte sobre o fosso, portão e muralha de cantaria pelo lado do Rio Guamá. Em 1878 passou a acolher parte do grande número de flagelados na cidade, em fuga da seca na Região Nordeste do Brasil, voltando a exercer as funções de hospital. A entrada para o Forte se dá pelo Portal do Aquartelamento que era a porta de entrada para Feliz Lusitânia, o primeiro nome de Belém. Até a segunda metade do século XIX, a cidade e o Forte eram ligados fisicamente, quando foi construído um muro de separação aquartelando o local. Em 2002, o muro foi parcialmente demolido, deixando apenas um vestígio do mesmo.

Portal do Aquartelamento
As dependências do Forte foram utilizadas para diversas finalidades, tais como depósito de armamentos, munições ou outros materiais. No contexto da Segunda Guerra Mundial, serviu de quartel para uma bateria de Artilharia. Na década de 1950 as suas dependências abrigavam diversos serviços da 8ª Região Militar. Encontra-se tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1962. Completamente descaracterizado, o monumento sofreu diversas intervenções no passado, entre as quais várias modificações para abrigar a sede social do Círculo Militar de Belém, que manteve no local um restaurante, um bar, depósitos e um salão de festas. Em 1978, tentou-se negociar a retirada do Círculo Militar e seu restaurante, para uma intervenção de restauração do imóvel. Em 1980, com as muralhas parcialmente destruídas, a edificação passou por obras de emergência para garantir a estabilidade do conjunto remanescente. A partir de 1983, com recursos da Fundação Pró-Memória, o IPHAN realizou obras de conservação e restauro. O Circulo Militar deixou as instalações do Forte apenas em 1997, após o que foram requalificadas como espaço cultural, passando a abrigar um museu, e dando lugar a espetáculos musicais e teatrais.

Museu do Encontro
Com o passar do tempo, sofreu inúmeras reformas até ser transformado em ponto turístico. Foram retiradas várias partes de construções que, ao longo dos anos, descaracterizaram as instalações originais, procurando-se manter aquelas consideradas pertinentes ao aspecto geral do conjunto. Junto às pesquisas e às prospecções arqueológicas no local, foram encontradas também marcas da antiga Capela do Santo Cristo, datada do período de 1621 e 1626, entre o Fosso do Forte e o ângulo setentrional do prédio. Bem preservado, revela ao visitante a preocupação portuguesa, na época, com a manutenção do domínio sobre a região. 

Museu do Encontro
Atualmente, nas instalações do Forte do Presépio, o Museu do Forte do Castelo de São Jorge ou Museu do Encontro conta um pouco do início da colonização portuguesa na Amazônia. O Museu fica na Sala Guaimiabaantigo Corpo da Guarda do ForteHá objetos do uso cotidiano dos povos pré-históricos, além de peças que marcam a transformação e utilização do local. Há também artefatos líticos (peças de pedras), além de raspadores utilizados para ocasionar atrito e dar origem ao fogo. Uma vitrine Marajoara, com peças feitas em cerâmica, também é um dos destaques do Museu. No centro do Museu, urnas funerárias revelam indícios dos rituais marajoaras. O Museu do Forte possui uma das maiores coleções de “muiraquitãs”. Os amuletos, datados do século X, foram encontrados na região tapajônica, atual cidade de Santarém. E o Museu guarda outra riqueza: a história dos famosos índios Tupinambás, que ocupavam a região de construção do Forte. Eles ficaram conhecidos pela fama de comerem carne humana

Mercado Ver-o-Peso visto do Forte do Presépio
Ao fundo do Museu, “A Conquista do Amazonas”, uma tela histórica encomendada pelo governador Augusto Montenegro ao pintor Antônio Parreiras, para decorar a parede do Salão de Honra do Palácio do Governo. A tela, de oito metros de largura por quatro de altura, retrata a expedição organizada pelo Governador da Capitania do Maranhão com objetivo de reconhecer o Rio Amazonas até Quito, no Equador. O interessante do lugar é que ele nos proporciona ricas experiências. Como a visão inesquecível do nascer ou pôr-do-sol. Um presente. Por estar localizado no ponto mais alto da orla da Baía do Guajará, ele abre um cenário magnífico. Constitui-se num dos mais procurados pontos turísticos da cidade, por sua localização privilegiada e seu sentido histórico. É integrante do Complexo Arquitetônico e Religioso da Cidade Velha, a Feliz LusitâniaO Forte fica fechado às segundas-feiras e o valor do ingresso para visitação é simbólico.





Mercado Ver-o-Peso visto do Forte do Presépio

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Belém do Pará - Corveta-Museu Solimões

Corveta-Museu Solimões
A Corveta Solimões foi construída pelo estaleiro de Rotterdam, nos Países Baixos na metade do século XX. O batimento de sua quilha ocorreu em janeiro de 1954, tendo sido lançada ao mar em novembro do mesmo ano. Foi entregue à Marinha Brasileira em agosto de 1955. De 1955 a 1959, esteve subordinada ao Comando do 1º Distrito Naval, desempenhando missões de varredura, minagem, patrulha costeira e prestação de serviços de socorro marítimo.

Corveta-Museu Solimões


Em dezembro de 1959, passou a ser subordinada ao Comando do 4º Distrito Naval, com sede em Belém do Pará, e, desde abril de 1974, passou a integrar o Comando do Grupamento Naval do Norte. Nestas fases, desempenhou uma grande diversidade de comissões, como o desencalhe e reboque de navios, patrulha (inclusive de fronteiras), socorro marítimo (busca e salvamento), transporte de tropas, e em ações de assistência cívico-social junto às populações ribeirinhas da Amazônia, transportando suprimentos e provendo assistência médica e odontológica.

Corveta-Museu Solimões
Em 2004, através de um convênio entre Secretaria Executiva de Cultura e a Marinha do Brasil, iniciou-se o processo de adaptação da Corveta em navio-museu, com projeto que teve como base a concepção original do navio. Dessa forma, foram feitas alterações estruturais e substituídos alguns equipamentos e acessórios, com o objetivo de devolver as características originais do navio e de viabilizar o circuito expositivo. Desde então, é o primeiro navio-museu da Região Norte e fica ancorada no píer da Casa das Onze Janelas. O circuito expositivo rememora a trajetória da própria embarcação nas águas brasileiras e o cotidiano de sua tripulação. Entre as curiosidades que exibe, encontram-se quatro bonecos de silicone, fabricados nos Estados Unidos da América, dispostos em seu interior, representando os principais membros da tripulação: o comandante, o timoneiro, o cozinheiro e o mecânico.

Corveta-Museu Solimões

Escultura metálica na entrada do Corveta-Museu Solimões

terça-feira, 21 de julho de 2015

Belém do Pará - Casa das Onze Janelas

Casa das Onze Janelas ou Palacete das Onze Janelas
A Casa das Onze Janelas ou Palacete das Onze Janelas ou Museu de Arte Casa das Onze Janelas trata-se do Museu de Arte Moderna e Contemporânea mais importante da cidade de Belém e do Estado do Pará. A Casa foi construída no século XVIII como residência de Domingos da Costa Aguiar, proprietário de engenho de açúcar. Em 1768, a Casa foi adquirida pelo Governo do Grão-Pará para abrigar o Hospital Real. O projeto de adaptação é do arquiteto bolonhês Antônio José Landi. O Hospital funcionou até 1870 e depois a Casa passou a ter várias funções militares. Em 2001, o Governo do Estado do Pará assinou com o Exército Brasileiro um convênio, alienando os terrenos da Casa das Onze Janelas e do Forte do Presépio em favor do turismo em Belém. Hoje o Palacete é um dos cartões postais da capital paraense, e um dos pontos turísticos mais visitados da Cidade Velha. Cada uma das 11 janelas oferece vista para um belo atrativo natural, como jardins, a Baía do Guajará e o Mercado de Ver-o-Peso.

Jardim de Esculturas
O prédio em dois pisos tem na fachada principal onze aberturas dispostas simetricamente, janelas e portas janelas, com verga reta e precedidas por grades, e a porta principal. O volume maciço é dividido por um simples entablamento e tem pilastras nos cunhais, constituindo uma solução robusta e singela, ao gosto da arquitetura portuguesa do período. Mais elaborada, denunciando a intervenção do arquiteto italiano Antônio José Landi, é a fachada para o rio, com aberturas em arcos configurando, no corpo central, loggia na forma de varandas, com grades no piso superior e abertas no inferior. O prédio, quando passou para o uso militar, sofreu muitas intervenções. As mais relevantes, do ponto de vista de interferência nas fachadas, foram o acréscimo de um frontão triangular, ladeado por obeliscos, na fachada principal, e o fechamento desfigurador das aberturas do lado voltado para o rio.

Casa das Onze Janelas ou Palacete das Onze Janelas
O edifício é parte do conjunto arquitetônico e paisagístico denominado Feliz Lusitânia. Desde 2002 o Palacete abriga o Museu de Arte Contemporânea Espaço Cultural Casa das Onze Janelas que possui vasto acervo de obras modernas e contemporâneas contando com nomes como Tarsila do Amaral, Ismael Nery, Rubens Gerchman, Lasar Segal, Luiz Braga, Miguel Chikaoka, Alexandre Sequeira, Elza Lima, Walda Marques. Com grande agenda de exposições, é o principal prédio a hospedar as duas maiores premiações nacionais de arte realizadas no Estado, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia e o Arte Pará. Abriga também o Boteco das Onze que, apesar do nome, é um dos restaurantes mais qualificados de Belém (muito caro pela pouca qualidade apresentada). 

Jardins da Casa das Onze Janelas
O Espaço Cultural Casa das Onze Janelas é uma unidade do Sistema Integrado de Museus e Memoriais da Secretaria de Estado de Cultura do Pará. Promove ações museológicas preocupadas com a promoção de intercâmbios culturais, com a difusão do conhecimento da arte e com a inserção do artista em seus espaços expositivos realizando trabalhos que discutem a arte produzida na contemporaneidade, sendo um lugar onde o artista pode ousar em suas experimentações e apresentar o processo de sua pesquisa.

Jardins da Casa das Onze Janelas
Referência em arte contemporânea para as Regiões Norte e Nordeste, o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas possui acervo estimado em mais de 300 peças, que estão basicamente divididas em duas exposições principais, Traços e Transições – Arte Contemporânea Brasileira é formada pelo acervo do Museu do Estado do Pará, no qual se destacam a coleção doada à Secretaria Executiva de Cultura do Pará (SECULT) pela Fundação Nacional de Arte (FUNARTE) e as obras doadas pelos próprios artistas e seus familiares e por particulares. A segunda exposição, Fotografia Contemporânea Paraense – Panorama 80/90 (Sala Gratuliano Bibas) é formada pelo acervo patrocinado pela PETROBRÁS, composto por obras de 26 fotógrafos profissionais que atuaram no Pará entre os anos 80 e 90. Em seu acervo estão presentes obras de artistas participantes da Bienal Internacional de São Paulo, Panorama da Arte Brasileira e premiados em salões nacionais e no Salão Arte Pará.de São Paulo, Panorama da Arte Brasileira e premiados em salões nacionais e no Salão Arte Pará.

Baía do Guajará
O Espaço Cultural Casa das Onze Janelas fica na Praça Dom Frei Caetano Brandão. Não abre às segundas-feiras e é necessário comprar ingresso para visitação. Os preços variam conforme a programação. Crianças até sete anos, adultos a partir de 60 anos, portadores de necessidades especiais, grupos agendados e turmas da rede de ensino não pagam ingresso. A área que envolve a Casa das Onze Janelas possui um conjunto de equipamentos culturais, como o Jardim de Esculturas, o Navio Corveta Solimões e o palco, que se projeta sobre a Baía do Guajará.