Nenhuma outra tentativa de invasão voltaria a acontecer. Em
1753, o Forte do Castelo funcionou
pela primeira vez como hospital para atender mais de 300 pessoas acometidas de
um surto epidêmico. Seis anos depois, transformou-se em hospital militar, sendo
conhecido como Hospital do Castelo.
No século XIX, quando os paraenses resolveram se insurgir contra a elite
portuguesa na revolta que ficou conhecida como Cabanagem, o Forte, já em condições precárias de conservação,
foi quartel dos insurgentes durante cinco anos (1835-1840).
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Canhões no Forte do Presépio |
À época da Independência
do Brasil, o Forte foi reedificado, para ser desativado no Período Regencial, que extinguiu os Comandos dos Fortes, Fortins e Pontos Fortificados,
desarmando-os. No ano seguinte, passou a ser denominado de Castelo de São Jorge, ou simplesmente Forte do Castelo, como até hoje é
denominado. O Forte foi reparado e rearmado a partir de 1850, quando o seu
recinto interior foi objeto de limpeza e ganhou novos quartéis para tropa, Casa do Comandante, ponte sobre o
fosso, portão e muralha de cantaria pelo lado do Rio Guamá. Em 1878 passou a acolher parte do grande
número de flagelados na cidade, em fuga da seca na Região Nordeste do Brasil, voltando a exercer as funções de
hospital. A entrada para o Forte se dá pelo Portal do Aquartelamento que era a porta de entrada para Feliz Lusitânia, o primeiro nome de Belém. Até a segunda metade do século
XIX, a cidade e o Forte eram ligados fisicamente, quando foi construído um muro
de separação aquartelando o local. Em 2002, o muro foi parcialmente demolido,
deixando apenas um vestígio do mesmo.
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Portal do Aquartelamento |
As dependências do Forte foram utilizadas para diversas
finalidades, tais como depósito de armamentos, munições ou outros materiais. No
contexto da Segunda Guerra Mundial,
serviu de quartel para uma bateria de Artilharia. Na década de
1950 as suas dependências abrigavam diversos serviços da 8ª Região Militar. Encontra-se tombado
pelo Serviço do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional desde 1962. Completamente descaracterizado, o monumento
sofreu diversas intervenções no passado, entre as quais várias modificações
para abrigar a sede social do Círculo
Militar de Belém, que manteve no local um restaurante, um bar,
depósitos e um salão de festas. Em 1978, tentou-se negociar a retirada do
Círculo Militar e seu restaurante, para uma intervenção de restauração do
imóvel. Em 1980, com as muralhas parcialmente destruídas, a edificação passou
por obras de emergência para garantir a estabilidade do conjunto remanescente.
A partir de 1983, com recursos da Fundação
Pró-Memória, o IPHAN realizou
obras de conservação e restauro. O Circulo Militar deixou as instalações do Forte
apenas em 1997, após o que foram requalificadas como espaço cultural,
passando a abrigar um museu, e dando lugar a espetáculos musicais e teatrais.
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Museu do Encontro |
Com o passar do tempo, sofreu inúmeras reformas até ser
transformado em ponto turístico. Foram retiradas várias partes de construções
que, ao longo dos anos, descaracterizaram as instalações originais,
procurando-se manter aquelas consideradas pertinentes ao aspecto geral do
conjunto. Junto às pesquisas e às prospecções arqueológicas no local, foram
encontradas também marcas da antiga Capela
do Santo Cristo, datada do período de 1621 e 1626, entre o Fosso do Forte e o ângulo setentrional
do prédio. Bem preservado, revela ao visitante a preocupação portuguesa, na
época, com a manutenção do domínio sobre a região.
Atualmente, nas instalações do Forte do Presépio, o Museu
do Forte do Castelo de São Jorge ou Museu do Encontro conta um
pouco do início da colonização portuguesa na Amazônia. O Museu fica na Sala
Guaimiaba, antigo Corpo da
Guarda do Forte. Há objetos do uso cotidiano dos povos pré-históricos,
além de peças que marcam a transformação e utilização do local. Há também
artefatos líticos (peças de pedras), além de raspadores utilizados para
ocasionar atrito e dar origem ao fogo. Uma vitrine Marajoara, com peças feitas
em cerâmica, também é um dos destaques do Museu. No centro do Museu, urnas
funerárias revelam indícios dos rituais marajoaras. O Museu do Forte
possui uma das maiores coleções de “muiraquitãs”. Os amuletos, datados do
século X, foram encontrados na região tapajônica, atual cidade de Santarém. E o Museu guarda outra
riqueza: a história dos famosos índios Tupinambás, que ocupavam a região de
construção do Forte. Eles ficaram conhecidos pela fama de comerem carne humana.
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Mercado Ver-o-Peso visto do Forte do Presépio |
Ao fundo do Museu, “A
Conquista do Amazonas”, uma tela
histórica encomendada pelo governador Augusto Montenegro ao pintor Antônio
Parreiras, para decorar a parede do Salão
de Honra do Palácio do Governo. A tela, de oito metros de largura por quatro
de altura, retrata a expedição organizada pelo Governador da Capitania do Maranhão com objetivo de reconhecer o Rio Amazonas até Quito, no Equador. O
interessante do lugar é que ele nos proporciona ricas experiências. Como a visão
inesquecível do nascer ou pôr-do-sol. Um presente. Por estar localizado no
ponto mais alto da orla da Baía do
Guajará, ele abre um cenário magnífico. Constitui-se num dos mais procurados pontos turísticos
da cidade, por sua localização privilegiada e seu sentido histórico. É integrante do Complexo
Arquitetônico e Religioso da Cidade Velha, a Feliz
Lusitânia. O Forte fica fechado às
segundas-feiras e o valor do ingresso para visitação é simbólico.
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