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Fontana di Trevi |
Um parque de diversões
para apreciadores da história e arquitetura. Um tesouro inesgotável para
amantes da arte e cultura. Uma metrópole eletrizante de trânsito caótico. Um
agitadíssimo centro com tudo do melhor para boêmios, glutões e fashionistas. Roma consegue
ser tudo isso e muito mais. A “Cidade
Eterna” tem tantas atrações imperdíveis que aos visitantes sempre se
recomenda voltar. Mesmo assim, joga a favor dos turistas o fato de a maioria
das atrações mais procuradas se concentrarem em uma área perfeitamente viável
para a exploração a pé. Porque se o Coliseu,
a Fontana di Trevi e o Vaticano são obrigatórios, igualmente
indispensável é saborear o prazer de cafés ou barezinhos, como bons romanos,
enquanto nos embasbacamos com cada praça, monumento ou museu. Impossível falar das
atrações de Roma e não incluir aquela
que é a sua mais famosa fonte: a Fontana
di Trevi. Claro que ela não é a única fonte linda de Roma. Na cidade de fontes como a Fontana dei Barcaccia (Piazza
di Spagna), Fontana dei Quattro Fiumi
(Piazza Navona), Fontana dei Triton (Piazza della Bocca della Veritá), só para
citar algumas, ser considerada a mais famosa, é coisa para quem tem grandiosidade.
E a Fontana di Trevi merece toda a fama e toda massa de turistas que se perde pelas ruelas ao seu redor para
poder encontrá-la, e poder apreciar sua magnitude.
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Fontana di Trevi |
Nos anos áureos do Império Romano, as estruturas que
alimentavam as cidades com água eram os famosos aquedutos, admirados pelos
engenheiros até hoje. Era tradição na época fazer uma bonita fonte no ponto
final de cada aqueduto, e por isso Roma
está lotada de lugares assim. A história da Fontana di Trevi remonta à época da Roma Antiga. Era uma Fonte que estava situada no cruzamento de três
ruas (tre vie), onde se formava um trivium (trevo), o que levou o sítio a ser
chamado de Trebium. O local da Fontana
marcava o ponto terminal do Aqueduto
Acqua Vergine, um dos mais antigos abastecedores de água de Roma, que tinha sido encomendado pelo Imperador
Otávio Augusto a Marcus Agripa, sendo as suas águas usadas para fornecer água
para os banhos termais. As águas que circulam na Fontana têm dois nomes, Águas Virgens e Trevi. O "golpe de misericórdia" desferido pelos
invasores Godos em Roma foi dado com
a destruição dos aquedutos, durante as Guerras
Góticas. Os romanos durante a Idade
Média tinham de abastecer-se da água de poços poluídos, e da pouco límpida
água do Rio Tibre, que também
recebia os esgotos da cidade.
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Fontana di Trevi |
O antigo costume romano
foi reavivado no século XV, com o Renascimento.
Em 1453, o Papa Nicolau II, determinou que fosse consertado o Aqueduto de Acqua Vergine, construindo
ao seu final um simples receptáculo para receber a água, num projeto feito pelo
arquiteto humanista Leon Battista Alberti. Apesar de ser naturalmente linda e
chamar atenção devido à sua grandiosidade e aos detalhes, o que deu fama à Fontana foi o filme “La Dolce Vita” de Fellini, da década de 1960,
que tem a famosa cena em que a protagonista americana entra na Fontana à noite.
Em 1629, o Papa Urbano VIII achou que a velha Fontana era insuficientemente
dramática e encomendou a Bernini alguns desenhos, mas quando o Papa faleceu o
projeto foi abandonado. A última contribuição de Bernini foi reposicionar a
Fontana para o outro lado da praça a fim de que esta ficasse defronte ao Palazzo Quirinale (assim o Papa poderia
vê-la e admirá-la de sua janela). Ainda que o projeto de Bernini tenha sido
abandonado, existem na Fontana muitos detalhes de sua ideia original. Dizem que
sua inspiração veio também de outra fonte, a Fontana dell’acqua Paola. E realmente, ao
se olhar para ela, consegue-se perceber a compatibilidade desta ideia. Esta Fontana
fica na Colina Gianicolo, em Trastevere, e vale a pena ser
visitada.
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Turistas jogando moedas na Fontana di Trevi |
Muitas competições
entre artistas e arquitetos tiveram lugar durante o Renascimento e o Período Barroco para redesenhar os edifícios, as
fontes, e até mesmo a Scalinata di
Piazza di Spagna (as Escadarias da
Praça de Espanha). Em 1730, o Papa Clemente XII organizou uma nova
competição na qual Nicola Salvi foi derrotado, mas efetivamente terminou por
realizar seu projeto. Este começou em 1732 e foi concluído em 1762, logo depois
da morte de Clemente, quando o Netuno
de Pietro Bracci foi afixado no nicho central da Fontana. Salvi morrera alguns
anos antes, em 1751, com seu trabalho ainda pela metade, que manteve oculto por
um grande biombo. A Fontana foi concluída por Giuseppe Pannini, que substituiu
as alegorias insossas que eram planejadas, representando Agripa e Trívia, as
virgens romanas, pelas belas esculturas de Netuno
e seu séquito.
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Turistas jogando moedas na Fontana di Trevi |
Considerada
a mais bela Fonte do mundo, a Fontana di
Trevi, literalmente traduzida como Fonte
dos Trevos, é um dos mais sedutores monumentos de Roma. Sua beleza dimensional feita de água e pedra foi construída
sobre o esplendor do barroco italiano. A beleza estética faz desta obra de arte
um símbolo das esculturas que adquiriram uma mítica lendária, com linhas tênues
entre o fulgor e o monumento, causando uma empatia romântica com todos os
cidadãos do mundo, fazendo dele um triunfo do barroco. Um ponto que costuma
atrapalhar o momento da visita é que a região sempre está cheia de gente
tentando vender rosas insistentemente, mas basta ignorá-los para continuar
desfrutando de um lugar tão especial.
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Fontana di Trevi |
Diante da Fontana,
a primavera é eterna, Netuno rompe a
paisagem e a pedra na qual foi esculpido, tornando viva a arquitetura. Vento,
luz, sombras, pedra, água, juntam-se como se fosse formado um imenso mar, num
cenário intenso e de uma dramaticidade singular. A Fontana di Trevi, com a sua paisagem espetacular e grandiosidade
barroca, dá um toque romântico a Roma,
às vezes perdido na concepção dos monumentos históricos intensos, como o Coliseu. É o ponto preferido dos casais
apaixonados ou que se apaixonam na Cidade Eterna. É o ponto
final da cidade, que se transforma no retorno. Reza a lenda que estrangeiros,
forasteiros, turistas, quando visitam Roma,
devem jogar uma moeda na Fontana para que possam retornar. O ritual é repetido
por todos, que assim, garantem a esperança de um dia poder rever Roma, e, principalmente, poder rever a
Fontana mais bela e romântica do mundo. As moedas nunca ficam na água por mais
de sete dias. A Prefeitura as retira semanalmente e as doa para instituições de
caridade.
Reza a lenda que, no ano
19 a.C., alguns soldados sedentos procuravam por água, encontraram pelo caminho
uma jovem romana virgem, que se apiedando deles, conduziu-os a uma fonte
límpida, de água pura, localizada a cerca de 22 quilômetros da Roma Antiga. Através da lenda, surgiu o
nome de Águas Virgens. No monumento
atual da Fonte, a cena da lenda da jovem virgem e dos soldados está
representada em escultura. Nos primórdios da história da Fonte, as suas águas
foram levadas através de um pequeno aqueduto romano, diretamente ao local de
banho de Marcus Vipsanius Agripa, um dos maiores estadistas e generais do Império Romano, a quem se deve a
construção do Pantheon de Roma e dos
seus principais aquedutos. Na Roma
Antiga, graças aos aquedutos, belas fontes foram erguidas por toda a cidade,
contribuindo para a arquitetura clássica e imponente da capital do maior
império do mundo.
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Fontana di Trevi |
A Fontana,
localizada no Rione de Trevi, no Bairro do Quirinal, no Centro Histórico de Roma, desenha a
fantasia das suas águas e estátuas aninhadas no centro de um palácio, possuindo
20 metros de largura e cerca de 26 metros de altura. Verdadeira maravilha do
mundo, seu esplendor começa quando nos aproximamos ao redor, ouvimos o som
crescente das águas, e de repente, estamos diante de uma visão edênica da
criação humana, contemplando uma das mais deslumbrantes vistas do planeta. O
espaço da Fontana abre-se aos olhos do visitante, com a força da água a emanar
das pedras, como se adquirisse vida e arrebatasse-nos para um cenário preso na
beleza da arte do homem.
Como um dos
pontos turísticos mais famosos da capital, a Fontana di Trevi está sempre repleta de visitantes. A Fontana mundialmente
conhecida e, na verdade a fachada de um prédio, o Palazzo Poli, ornamentada com estátuas e outros elementos. Ocupando
parte da parede do Palazzo, que fica entre duas ruas paralelas, não é possível andar
ao redor ou passar atrás dela. Ela também não é circular como a maioria das fontes,
sendo, desta forma, uma estrutura ímpar. A Fontana tem detalhes interessantes e
curiosos. Acima das quatro colunas estão as estátuas que representam as quatro estações.
Podem-se ver as alegorias de prados exuberantes, presentes outonais, exuberância
dos campos e a variedade de frutas colhidas (da esquerda para a direita). As inscrições
são homenagens aos papas envolvidos na construção. E a Fontana di Trevi é coroada com o brasão de armas do Papa Clemente XII.
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Fontana di Trevi |
Olhando para
a Fontana, se vê que ela tem o formato de um arco triunfal no centro. E este foi
modelado de acordo com o Arco de Constantino,
que fica em frente ao Coliseu. Quando
se compara a Fontana e o Arco, lado a lado, consegue-se perceber bem esta “inspiração”.
É como se o Arco estivesse incorporado ali. No centro,
está represento Netuno que
conduz uma carruagem em forma de concha, puxada por dois cavalos-marinhos
montados por dois tritões, um mais velho e outro mais jovem. Olhe mais
atentamente e você perceberá que um dos cavalos está calmo, enquanto o outro é
bem selvagem: um símbolo das “mudanças de
humor” do oceano. O tema da Fontana
di Trevi é as forças da natureza que ameaçam o homem e seu trabalho. E Netuno faz parte das forças da natureza
e das criaturas míticas que ameaçavam o povo. O grande
chafariz posicionado em frente às esculturas simboliza o mar. Nos nichos à
direita e à esquerda de Netuno estão
as figuras dedicadas à Saúde e Fertilidade. Estas foram criadas por
Fillippo della Valle e também fazem parte do tema. Elas são as representações
figurativas da Salubridade e da Abundância (saúde e bem-estar).
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Escultura de Netuno |
Em cima dos
nichos da Fertilidade e da Salubridade, estão dois relevos. No relevo
da esquerda pode-se ver Marcus Agripa, explicando a construção da Fontana para Augusto,
que ordena a construção dela. À direita está representada a virgem que liderou
os soldados de Agripa até a nascente nas Montanhas
de Sabine. As representações são muito bem feitas e as figuras parecem ter vida
e seguir em direção ao espectador. Quase como um quadro vivo. Além disso, a água
foi direcionada para gerar um barulho forte, e impressionar ainda mais quem observa
a Fontana. Desta forma, o barulho dá “vida” às esculturas.
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Escultura de Netuno com as Estátuas da Abundância e da Salubridade |
A Fontana di Trevi foi construída numa mistura de estilos barroco tardio
e neoclássico, usando pedras de travertino de Tivoli e mármore de Carrara. À esquerda
da Fontana, vê-se um grande vaso de travertino, cuja história curiosa tem
origem na construção do monumento. Dizem que, enquanto a obra era realizada, os
operários eram frequentemente importunados pelas críticas de um barbeiro que
tinha sua barbearia na praça e estava sempre pronto a se intrometer na obra da
Fontana. O arquiteto Nicola Salvi procurou ser paciente, mas não aguentou mais,
decidiu mandar colocar esse grande vaso de travertino em frente à barbearia, de
forma que o barbeiro não tivesse mais a vista da Fontana. E o vaso, que ainda
está lá, é chamado pelos romanos de “naipe de copas” pela semelhança com a
carta do baralho.
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Palazzo Poli |
É interessante saber que
desde 2007 a Fontana não é mais alimentada pela água vinda da ainda ativa Aqua Virgo. Agora, uma bomba traz a água
do sistema de abastecimento da cidade. A dica
para os que desejam evitar a multidão, que se aglomera na Praça de mesmo nome,
é visitar o local bem cedo ou tarde da noite. O
mais impressionante de Roma são
esses (muitos) pequenos momentos em que você anda por ruelas e becos bonitinhos
e, meio que sem querer, esbarra com alguma maravilha que te faz tremer
completamente. Com a Fontana é
assim.