Teatro Paiol |
A primeira parada que fizemos pelo roteiro da Linha Turismo foi no Teatro Paiol. O nome se deve a uma rica
e trágica história. Em meados de 1874 havia um armazém, dirigido por uma viúva
que comercializava fogos de artifícios. E segundo relatos históricos houve uma
grande explosão dando início a várias mudanças no local designado para esta
função. O primeiro Paiol de Pólvora
da cidade foi construído na esquina das Ruas
Montevidéu e Getúlio Vargas. Não
tardou e a cidade sofreu com mais uma explosão, desta vez na velha Estação Ferroviária, a tragédia deixou
vítimas fatais. Dado o tamanho do impacto que esta tragédia provocou na
população curitibana, o então comandante da 5ª Região Militar, determinou a mudança do Paiol para o Bacacheri.
Devido à expansão da cidade e o eminente risco de explosões, Prefeitura e Exército
chegaram num acordo, em 1906, onde os inflamáveis da Prefeitura teriam seu
próprio depósito. Foi aí que se originou o Paiol
de Pólvora, construído na Praça
Guido Viara, onde funcionou até 1917. O seu formato circular foi
planejado por causa do risco de uma nova explosão, sendo assim, os materiais
sairiam na parte superior e não aos lados. Depois de ter sido um armazém de
pólvora, virou um acervo para documentos da Prefeitura e materiais municipais,
anos mais tarde virou uma usina de asfalto.
Interior do Teatro Paiol |
Na década de 1960, Curitiba
estava crescendo em população, portanto, foi criado um plano de urbanização,
que tinha como objetivo transformar a capital paranaense em questão urbana e
cultural. Foi nessa proposta de aumento cultural que a ideia de transformar o Paiol em Teatro começou a ser cogitado
pelas autoridades municipais. Foi por causa dele que começou o movimento de
reciclar um local e dar uma designação cultural ao espaço. O Teatro Paiol
em Curitiba é uma obra pioneira em
reaproveitamento de espaços urbanos, tanto que impulsionou a criação da Fundação Cultural de Curitiba – FCC. Em uma época pré Ópera
de Arame, Jardim Botânico ou Parque Tanguá, o Teatro foi a
verdadeira logomarca de Curitiba. A Biblioteca
Augusto Stresser foi entregue ao Teatro na posse da primeira diretoria da
fundação. Com a ajuda da Biblioteca, se tornou um local de
pesquisa, de jogos, de palestras, dramatizações entre outros. O projeto, que transformou o antigo abrigo de pólvora
em um importante cenário da cultura municipal, é de Abrão Assad, que manteve as
características originais de formato tradicional romano.
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Teatro Paiol no Bairro Prado Velho |
O velho prédio foi
inaugurado como Teatro em dezembro de 1971, com um show que marcou a presença
de Vinicius de Moraes, Toquinho, Marilia Medalha e do Trio Mocotó. A cidade se preparava para o maior evento artístico até então
realizado na capital paranaense, e eis que os grandes nomes da estreia
resolveram fazer uma surpresa para a cidade, compuseram uma canção especialmente
para o Teatro. O título da música era “Paiol
de Pólvora” que mais tarde iria fazer parte da telenovela da Rede Globo “O bem Amado”, mas que infelizmente acabou sendo censurada. Reza a
lenda que Vinicius teria batizado o Teatro com uísque. A inauguração oficial
do Teatro Paiol aconteceu
poucos meses depois, em março de 1972 – quando a cidade completou 279 anos de
sua fundação. Na primeira década de
existência, o Paiol conquistou
o gosto de artistas e espectadores, e já recebeu ao longo dos anos nomes como,
Elis Regina, Marilia Pêra, Hugo Cardoso, Olivia Byington, Trio Quintina,
Gonzaguinha, Zezé Motta, Djavan, Nana Caymmi, Hermeto Paschoal, Alaíde Costa,
Leni Andrade, Elza Soares, Zizi Possi, Cida Moreira, Fátima Guedes e muitos
outros. O Paiol sempre foi aberto aos músicos curitibanos. Desde o início,
por ali passaram compositores, cantores e instrumentistas dos mais diversos
estilos.
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Vista aérea do Teatro Paiol |
Mas os anos dourados do Teatro
Paiol não duraram muito tempo. Mesmo se tornando símbolo da Fundação Cultural de Curitiba, presente
na logomarca da instituição, o Teatro passou por várias reformas ao longo da
sua história e por inúmeras vezes esteve por um triz de ser esquecido, ter sua
glória apagada pelo descaso das instituições que deveriam preservar essa que é
uma história tão rica, única, e singular dentro do cenário artístico e
cultural, não apenas de Curitiba,
mas do país. Graças a sua gigantesca existência, há sempre uma
comunidade disposta a lutar pela preservação da memória e desta linda história
que este Teatro possui. Atualmente, o Teatro Paiol ainda figura como um importante
centro cultural da cidade, com shows, palestras, peças de teatro, encontros e
outros eventos. Sua acústica é muito boa e a proximidade com os
músicos cria um ambiente acolhedor. O palco de cinco metros de diâmetro, a proximidade da
plateia e o formato de arena são seus grandes atrativos, além da sua
importância na história de Curitiba. Possui capacidade de 225 espectadores (dois espaços para
cadeirantes). O Teatro Paiol
está localizado no Largo Professor Guido
Viaro, no Bairro Prado Velho. O local oferece visitação gratuita, sem monitoria. Não abre às
segundas-feiras e nos outros dias, somente à tarde.
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