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Cathèdrale Saint Pierre |
A principal atração da Vieille
Ville é impossível de ser ignorada, a Cathèdrale
de Saint Pierre que domina a paisagem da cidade seja lá qual ângulo você
olhar. É a
mais antiga, tradicional e bonita da cidade e onde se tem uma vista
panorâmica com o Lago e os Alpes. A Catedral
tem origem no século IV e era
chamada Saint-Pierre-ès-liens, em referência à Basílica de São
Pedro de Roma, integrada num conjunto que compreendia também o Batistério. A
Catedral dos anos 1000 ocupa um papel cada vez mais importante junto dos
genebrinos e é o centro da vida de uma cidade que ocupa um lugar extremamente
estratégico ao nível do comércio e militar, como prova o fato do Imperador do Sacro Império Romano-Germânico Conrado
II ir até ela sagrar-se Rei da
Borgonha.
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Torres da Catedral de Genebra |
O
atual edifício da Catedral foi levantado em sua maior parte entre 1150 e 1250, num estilo de transição
entre o românico e o gótico. No interior, os capitéis das colunas da igreja perfazem o maior
conjunto em estilo românico e gótico da Suíça, bem como vitrais idênticos aos exemplares
do Renascimento encontrados no Musée d’Art et d’Histoire
datado do século XIX. Do lado de fora, as
modificações mais visíveis e importantes foram a construção da Torre Sul,
a adição do portal e da Capela, a construção de um anexo em estilo gótico, a
reconstrução da Torre Norte e a instalação do moderno campanário, em
1895. No século XVIII, com a queda de uma parte da estrutura, foi decidido
substituir a fachada neoclássica por uma romanesca. De forma geral, o resultado
é uma confusão de estilos: uma igreja romanesca com colunas neoclássicas, duas
torres que não são idênticas e um campanário moderno se erguendo sobre a
estrutura. Tente diferenciá-los enquanto admira a parte externa da Igreja.
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Torres da Catedral de Genebra |
Com a
chegada da Reforma Protestante, o
destino da Catedral muda radicalmente. Assim, em agosto de 1535, Guillaume
Farel, indo de encontro à ordem dos magistrados, vai até lá pregar a Reforma a uma multidão imensa. Originalmente
a Catedral era católica, e apesar de hoje em dia ainda operar como templo
religioso cristão, a Cathèdrale de Saint
Pierre tem uma importância muito maior – e no melhor estilo suíço de ser, a
Igreja tem uma postura neutra, com um Museu
da Reforma Religiosa,
relembrando o papel da Suíça em
apaziguar os conflitos religiosos da fé cristã no século XVI. Construída para o
ritual católico, a Reforma com sua
filosofia de austeridade modifica profundamente o interior do edifício,
esvaziando-o dos ornamentos e tapando as decorações coloridas da Idade Média, salvando-se, porém os
vitrais. Uma famosa pintura da Igreja, uma obra de Konrad Witz (1444) com uma
representação da Baía de Genebra,
como cenário da pesca milagrosa com Cristo e São Pedro, encontra-se atualmente
depositado no Museu de Arte e História
de Genebra. Os bancos de madeira, datados de século XV, sobreviveram à
limpa feita pelos protestantes porque estavam em outra igreja naquele momento,
a Chapelle des Florentins. Outros móveis também ficaram porque o custo
para repô-los seria muito alto. A atual fachada neoclássica de meados do século
XVIII substitui a precedente em estilo gótico.
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Cathèdrale Saint Pierre |
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Entrada lateral da Catedral de Genebra |
Em
contraste com o visual simples da nave principal, há a deslumbrante Chapelle
des Macchabées. O projeto começou em 1397, com os trabalhos tendo sido
iniciados anos depois e concluídos em 1411. Jean Cardinal de Brogny foi
o responsável pelo financiamento e desenho da Capela, que tinha como objetivo
servir como última morada para ele e sua família. A tumba acabou por
desaparecer e, provavelmente, ficava instalada no local onde hoje está o órgão
da Capela. Construída em estilo gótico, após a Reforma a Capela foi
transformada em depósito e, entre os séculos XVII e XIX, virou salas de aula.
Depois de voltar a seus propósitos religiosos, o edifício passou por uma grande
renovação a partir de 1878 com objetivo de trazer de volta as suas
características originais. O órgão da Catedral foi construído em 1965 e a
composição sonora inspira-se de órgãos norte-alemães do fim do século XVII e é
de estilo neobarroco. A firma responsável pelo projeto foi a Metzler et Fils,
de Dietikon, na Suíça. Já o desenho da caixa do órgão ficou sob a
responsabilidade de Poul-Gerhard Andersen, de Copenhagen, na Dinamarca.
A cadeira usada por João Calvino está exposta na Igreja, que tem visitação
gratuita. Em 2009 a Catedral foi inscrita na lista de honra do Patrimônio Europeu.
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Vitrais da Cathèdrale Saint Pierre |
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Os arcos da Catedral de Genebra |
Um
dos passeios complementares é a visita ao Site Archéologique de la Cathèdrale,
proveniente das escavações realizadas entre 1976 e 2006. Iniciados na Chapelle
des Macchabées, os trabalhos se expandiram para um vasto programa de
pesquisa dentro e ao redor da Catedral, revelando informações do surgimento da
cidade e seu desenvolvimento urbano ao longo de séculos. Quem quiser pode ainda
desembolsar alguns Francos Suíços
para subir as torres da Catedral, com vista para o Lago (aliás, tudo se paga na
Europa), são 157 degraus que levam
ao cimo da Torre Norte. Você pode
adquirir o bilhete apenas para a Torre ou escolher o Espace Saint-Pierre,
que inclui esse passeio, o Sítio Arqueológico e o Musée de la Réforme.
Com o tíquete em mãos, basta se dirigir até a catraca, ler o código de barras e
iniciar a escalada por uma escada em espiral. Eventualmente, você chegará a um
piso onde terá a opção de seguir para Tour Sud ou para a Tour Nord.
Na Torre Sul podem ser vistos cinco sinos de diferentes datas, pesos,
diâmetros e notas, chamados: Accord, Collavine, Espérance,
Eveil e Rappel. Os sinos tiveram um papel importante na
sociedade, pois serviam não apenas para chamar os fiéis para a celebração dos
cultos, mas também para convocar o Conselho Geral da cidade, emitir
alertas para a proteção da cidade e outras funções.
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Coro da Cathèdrale Saint Pierre |
Subindo mais um
pouquinho nessa mesma Torre, chega-se a um espaço que funcionou como Salle
du Guet (Quarto de Vigia) entre 1527 e 1911 e como Poste
d’Observation (Posto de Observação) entre 1939 e 1945. Trata-se de
uma ampla sala com piso e móveis de madeira e pequenas janelas de onde se pode
ter uma vista da cidade. Algumas curiosidades são a presença de um vaso
sanitário em um dos cantos e um sinalizador que avisa ao visitante quando ele
deve esperar porque está subindo outra pessoa (sinal vermelho) e quando o
caminho está liberado para a descida (sinal verde). Já na Torre Norte o
destaque fica para a vista proporcionada. Como você pode caminhar na parte
externa, não há restrições de ver as coisas através de pequenas janelas ou por
trás de grades. É possível dar uma volta e observar as montanhas ao fundo, os
prédios que compõem o Centro Histórico, a parte mais moderna da cidade e
a arquitetura da própria Catedral. Pode ser que as pessoas com medo de altura
sintam alguma vertigem porque a mureta não é muito alta. Essa visão superior
permite observar detalhes da Catedral que não seriam possíveis da rua, como o
formato arredondado das telhas, os arcos e as torres, as pequenas janelas
destinadas a permitir a entrada de luz sem comprometer a segurança, os
trabalhos nas pedras e outras coisas. Também é possível ver de perto a grande
estrutura verde, cheia de detalhes pitorescos, que fica entre as Torres
Norte e Sul.
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Coro da Cathèdrale Saint Pierre |
Dali também se tem uma
boa vista do Lac Léman. Observe como se destaca na paisagem o Jet
d’Eau, bem próximo ao porto. É importante se programar porque a última
entrada deve ser feita 30 minutos antes do horário de fechamento, mas recomendo
ir com mais tempo para não fazer nada com pressa. São muitos degraus e é
natural que você queira dar uma paradinha no meio da subida para recuperar o
fôlego. Além disso, as Torres são diferentes, então vale a pena passar nas duas
antes de descer para o saguão principal da Igreja e dar o passeio pela Catedral
por encerrado.