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Igreja de São Sebastião |
Ao lado direito do Largo de São Sebastião, está o monumento que dá nome a ele, a Igreja de São Sebastião, uma das principais paróquias da capital do Amazonas. Localiza-se na Rua 10 de
Julho, com sua frente voltada para o Largo de São Sebastião, no Centro
Histórico do município de Manaus. A primeira Capela de São
Sebastião erguida em Manaus data de 1859, ano em que aqui chegaram
os missionários franciscanos, da Irmandade de São Sebastião. Era uma
ermida em madeira, coberta de palha, instalada nos fundos do terreno onde esses
religiosos residiam, na antiga Rua Conde D’Eu, atual Rua Monsenhor
Coutinho, no Centro. No entanto, com o passar do tempo a devoção aumentava
sempre mais, daí por uma inerente necessidade idealizou-se a construção de um
novo templo que pudesse conter numerosos fiéis. A referência mais antiga acerca
do início da construção da Igreja que existe atualmente é de 1868, quando o
Presidente Provincial Leonardo Ferreira Marques, em seu Relatório de
Passagem de Governo, em novembro daquele ano, diz que a obra da Capela
de São Sebastião, contratada junto a Leonardo Malcher, iria ser iniciada.
Apesar da afirmativa daquele Presidente, somente em 1870 – com a chegada do
Frei Jesualdo Macchetti de Lucca – que as obras realmente começaram. Aliás,
sobre esse missionário, vale ressaltar que ele faleceu em junho de 1902 e foi
enterrado no Cemitério São João Batista. Três décadas depois, em abril
de 1933, os seus restos mortais foram trasladados para a Igreja que ele ajudara
a construir.
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Fachada da Igreja São Sebastião |
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Nave da Igreja São Sebastião |
A planta da nova Igreja foi organizada por Sebastião José
Basílio Pyrrho, o mesmo que projetou a atual Catedral Metropolitana de
Manaus. Com o templo ainda em obras, em maio de 1877, o Presidente da
Província, Domingos Monteiro Peixoto, autorizou a utilização de materiais
que sobraram das obras da atual Matriz para o erguimento da nova Igreja de
São Sebastião. Sete anos depois, em setembro de 1884, contratou-se Ambrósio
Bruno Candis para a construção do teto, das cimalhas, do estuque, dos forros
das abóbadas e dos altares. Entretanto, em outubro de 1886, Candis retirou-se
da cidade e deixou a Igreja inacabada. Seu contrato foi rescindido no ano
seguinte, em janeiro de 1887, e a obra foi assumida pela Repartição de Obras
Públicas. Superadas as dificuldades, em setembro de 1888, Frei Jesualdo
Macchetti pôde benzer a nova e atual Igreja de São Sebastião, contando
com autoridades civis, militares, eclesiásticas e fiéis. Em agosto de 1906, a
Igreja foi entregue aos Padres Capuchinhos Lombardos, da Itália.
Em setembro de 1909, com a saída destes para a missão do Pará, foram
substituídos pelos também italianos, Capuchinhos da Úmbria.
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Altar da Igreja São Sebastião |
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Um dos Altares da Igreja de São Sebastião |
Em janeiro de 1912, um grupo de fiéis frequentadores da Igreja
de São Sebastião, apresentou-se ao
Bispo Dom Frederico Benício de Souza Costa, pedindo que se dignasse elevar a Capela
de São Sebastião à dignidade de
Paróquia. No mesmo ano, por ocasião da Festa do Padroeiro, na presença
do Bispo Diocesano, Frei Marcelino de Milão, anunciou
publicamente a criação da nova Paróquia; e em setembro de 1912, no encerramento
de um retiro espiritual do clero, o Bispo anunciou oficialmente, pelo Prelado
de Santarém, pregador do referido retiro, a criação de uma nova Paróquia,
na cidade de Manaus, sob a
invocação do glorioso Mártir São Sebastião. A Igreja foi o terceiro templo
católico de Manaus a ganhar status mais importante da religião, após a Catedral
de Manaus e a Igreja dos Remédios. Cinco anos depois, os Capuchinhos
compraram o terreno situado por detrás do templo para que ali fosse construída
a residência dos padres, a qual serviria também para receber os missionários
enfermos. Em março de 1921, a Intendência Municipal, autorizou a aquisição
de um relógio que foi instalado na torre da Igreja. Foi tombada em 1988 como Patrimônio
Histórico pelo Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico e
Artístico do Amazonas – CEDPHA. Em setembro de 2012 a Igreja celebrou o
centenário de sua elevação à categoria de Paróquia.
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Altar da Sagrada Família |
Construída com pedras em estilo medieval, possui uma bela
iluminação noturna e seu interior impressiona pelas pinturas do teto. Tem
estilo eclético, com alguns elementos de vários estilos, como o gótico e o
neoclássico, e seu interior é marcado por painéis e vitrais europeus, bem ao
estilo da época. Intactas, as pinturas que cobrem o teto até o altar, incluindo
a cúpula e as paredes, trazidas da Itália e
afixadas no local, são de autoria de Silvio Centofanti, Francisco Campanella e
Ballerini. A maior delas, pintada por Ballerini, no teto, logo à entrada,
mostra o Martírio de São Sebastião;
a base da cúpula retrata os quatro evangelistas; e a própria cúpula a
"Glória do Céu", com oito
anjos. A capela lateral, à esquerda, abriga um presépio em tamanho
natural (com um grande camelo) trazido da Europa por uma rica família manauara. Um fato curioso que
chama a atenção de todos é a existência de apenas uma única torre construída,
sendo que o desenho da Igreja claramente indica a intenção de se levantar uma
segunda torre também. Há várias lendas para explicar essa não construção (como
a que diz que a segunda torre estava sendo transportada em um navio vindo da Europa, o qual naufragou durante o
percurso), mas aparentemente a verdadeira razão é que, naquela época, as
igrejas pagavam impostos em função do seu tamanho, incluindo o número de
torres. Assim, os frades nunca concluíram a construção da segunda torre para
evitar despesas adicionais. Desde sua fundação, a Igreja pertence
aos padres capuchinhos.
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Cúpula da Igreja São Sebastião |
Com
tanta tradição e admiração dos fiéis, a Igreja de São Sebastião é uma
das preferidas para a realização de casamentos em Manaus. A fila para
casar-se na Igreja dos Padres Capuchinhos chega a ter um ano de espera,
mas, segundo os fiéis, vale muito a pena esperar para casar-se num templo de
tamanha história.
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