De Manaus para Belém do Pará dá pouco mais de uma hora
de avião. Belém do Pará está no
mesmo fuso horário de Brasília,
podemos acertar os relógios novamente. Chegamos ao Aeroporto Internacional de Belém ou Val-de-Cans (um exemplo de
padrão a ser seguido por alguns aeroportos brasileiros) e fomos direto para o Radisson Maiorana Hotel, um quatro
estrelas localizado no Bairro Nazaré,
a 10 minutos a pé de vários pontos turísticos da cidade. Belém do Pará tem praticamente a mesma temperatura de Manaus, com a diferença que é a capital
mais chuvosa do Brasil. Existe um
ditado local que diz “Belém quando não
chove todo dia, chove o dia todo”, é incrível como chove naquela terra e
quando o céu fica preto é bom se abrigar onde puder, porque despenca uma água
danada. Precisamos comprar um guarda-chuva porque dependendo do lugar em que estávamos
não dava tempo de nos abrigar, e chove sem dó.
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Arquitetura típica de Belém |
Belém do Pará possui um dos maiores Índices
de Desenvolvimento Humano (IDH)
entre os municípios do norte brasileiro, o que dá para perceber claramente
comparando-a com Manaus. Em seus
quase 400 anos de história, Belém
vivenciou momentos de plenitude, entre os quais o período áureo da borracha, no
início do século XX, quando o município recebeu inúmeras famílias europeias,
que influenciaram grandemente a arquitetura das edificações locais, ficando
conhecida na época como “Paris n’América”.
Hoje, apesar de ser cosmopolita e moderna em vários aspectos, Belém não perdeu o ar tradicional das
fachadas dos casarões, das igrejas e capelas do período colonial. As
incontáveis mangueiras existentes nas ruas da cidade ajudam a amenizar o calor.
Além de aliviar o calor, as mangueiras ornamentam a cidade e fazem a delícia
dos amantes da manga, já que, em janeiro e fevereiro, época da safra, Belém é inundada pelo fruto, sendo
assim conhecida como “Cidade das
Mangueiras”. Quando chegamos, no início de março, ainda tinha muita manga
no chão.
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Arquitetura típica de Belém |
A capital paraense
desponta como grande roteiro turístico do Brasil, sendo a segunda cidade
mais visitada da Amazônia. O Círio de Nazaré, a bicentenária e
maior procissão cristã do planeta, movimenta a economia da cidade. No período
há aquecimento na produção industrial, no comércio, no setor de serviços e no
turismo. A cidade começa a explorar o mercado da moda, com os eventos Belém
Fashion Days (está entre os cinco maiores eventos de moda do País) e o Amazônia
Fashion Week (maior evento de moda da Amazônia). Por ser o município
mais antigo da Amazônia e com todas as condições infraestruturais como o Aeroporto
Internacional, o Estádio Olímpico com arena poliesportiva e o Centro
de Convenções Hangar e Centur, Belém é palco de grandes eventos.
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Arquitetura típica de Belém |
Além dos pontos
turísticos mais conhecidos, existem tranquilas e pouco exploradas opções de
lazer nas 18 ilhas que cercam a capital, lar de ribeirinhos e de uma natureza
ainda preservada, onde pequenas canoas carregam frutos e peixes para a cidade.
Ao atravessar o Rio Guamá em cerca de 20 minutos, a transição entre cidade
e natureza é evidente: os barulhos e luzes da grande cidade vão ficando para
trás, dando lugar ao silêncio e aos sons da floresta acompanhados por uma
temperatura mais baixa. As ilhas mais próximas, são frequentadas no fim de
semana no horário do almoço até o entardecer onde tomam banho de rio e degustam
pratos típicos da culinária em cerca de 12 restaurantes. Destacando-se a Ilha
do Combu e a Ilha dos Papagaios, onde ocorre uma revoada de aves ao
amanhecer (milhares de papagaios da espécie Amazona amazônica). Para os
que dispõem de mais tempo, existe a Ilha de Mosqueiro (com 17
quilômetros de praias de água doce com movimento de maré – “o rio com ondas”) e
a Ilha Outeiro, mais distantes e com maior infraestrutura.
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Arquitetura típica de Belém |
A Belém
gastronômica é um interessante caldeirão de misturas étnicas. A comida indígena
paraense tem sabores africanos, portugueses, alemães, japoneses, libaneses,
sírios, judeus, ingleses, barbadianos, espanhóis, franceses e italianos. Os
povos que chegaram à capital se encantaram com a cozinha nativa e, aos poucos,
foram incorporando seus ingredientes. A forte influência indígena, criou pratos
típicos como: pato no tucupi, tacacá, maniçoba, tucunaré cozido, caruru,
normalmente acompanhados com jambu e farinha d’água, entre outras delícias como
o açaí. Há quem diga que o sabor dos peixes e das frutas é realmente diferente.
Os elementos encontrados na região formam a base de seus pratos. Com mais de
uma centena de espécies comestíveis, as frutas regionais podem ser encontradas
no Ver-o-Peso, feiras livres, mercados e supermercados do município;
elas são responsáveis diretas pelo sabor das sobremesas que enriquecem a mesa
paraense. Destacam-se: açaí, bacaba, cupuaçu, castanha-do-Pará, bacuri,
pupunha, tucumã, muruci, piquiá e taperebá. Aproveitando essas peculiaridades,
a região faz grande divulgação da culinária, sediando o Festival Ver-o-Peso
da Cozinha Paraense e o Festival Internacional do Chocolate e Cacau
Amazônia.
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